terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sepe teve audiência na Seeduc hoje - Risolia receberá o sindicato na sexta


A diretoria do Sepe esteve reunida hoje na Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) com o subsecretário de Gestão de Pessoas, Luiz Carlos Becker, além de Sergio Mendes e Patrícia Reis, do Recursos Humanos.

Inicialmente, a audiência seria com o próprio secretário Wilson Risolia, que não pôde comparecer, mas manteve a reunião, com a presença dos representantes ditos anteriormente.

O secretário já confirmou, no entanto, que receberá o Sepe na sexta, dia 21/12, na parte da tarde, para tratar de uma pauta previamente acertada, como as questões do reajuste salarial, matriz curricular e o programa Certificação.

Hoje, o sindicato tratou basicamente do problema dos animadores culturais, que reivindicam a sua regularização pelo governo – em fevereiro está previsto a continuação do julgamento, no Tribunal de Justiça do Rio, da ação do MP, que pede o fim do cargo no estado.

O site do Sepe vai disponibilizar em breve um relato sobre o que foi discutido na audiência hoje.

Fonte: http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=3623

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Seeduc mantém apenas 1 tempo para Filosofia e Sociologia


A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) publicou a nova matriz curricular 2012 do Ensino Fundamental e Ensino Médio, no Diário Oficial do dia 06/12.

Contra a reivindicação dos professores da área, a Seeduc manteve a grade semanal das disciplinas de Filosofia e Sociologia em apenas um tempo de aula; aumentando, por sua vez, os tempos das disciplinas de Português, Matemática e Ciências, com o argumento de que são matérias cobradas no Saerj.

Resolução aprovada pela diretoria do Sepe reivindica que todas as disciplinas tenham dois tempos semanais, no mínimo.

Os professores dessas disciplinas fizeram um documento, que foi publicado no site do Sepe (leia aqui), reivindicando uma carga horária maior.

A direção do Sepe tem audiência hoje com o secretário Wilson Risolia, cuja pauta vai incluir a discussão da matriz.

Fonte: http://www.seperj.org.br/ver_noticia.php?cod_noticia=3622

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Direção do Sepe/RJ se reúne e dá encaminhamentos em sua última reunião do ano



No dia 13 de dezembro, quinta-feira, às 18 horas, a direção do Sepe/RJ realizou sua última reunião do ano, quando deu encaminhamentos para campanha salarial da rede estadual, entre outros pontos. Representantes do Núcleo Sepe Rio das Ostras e Casimiro de Abreu estiveram presentes. Na pauta: 1)Informes Gerais; 2) Contratação de funcionários.

·       Informe sobre a Ação Jurídica dos R$164,00 para professores aposentados e R$50,00 para funcionários aposentados: Os advogados do Sepe estiveram no TJ com alguns diretores em reunião com a juíza do caso. Houve ganho na causa para o primeiro lote de 100 nomes. No entanto, o Estado entrou com “agravo de instrumento” para que sejam entregues lotes de 10 nomes e não de 100 como já estão sendo feitos. O sindicato avalia que esta medida dificultará mais ainda o pagamento, podendo acabar se tornando um precatório para o estado. A advogada do Sepe irá fazer um relatório atualizado desta ação para entregar à direção. Está marcado para o dia 7 de janeiro de 2013 o julgamento que definirá o modelo e forma de pagamento pelo Estado.

Uma assembleia geral de aposentados foi aprovada para o dia 15 de janeiro de 2013, às 14 horas, na sede do Sepe/RJ, com transporte garantido para Núcleos de repasse mínimo.

·         Informe sobre o Comitê da Copa: O governador Sérgio Cabral aprovou no orçamento de 2013, na Alerj, recursos para a Copa do Mundo e conseguiu um empréstimo junto ao BID de 125 milhões de reais. O governador garantiu que irão demolir todo o complexo ao redor do Maracanã.

·        Informe dos Animadores Culturais: o julgamento foi desmarcado mais uma vez e a tendência é que vá parar no STF. E caso aconteça, com a demora poderá levar 10 anos para ser julgado.

·       Informe sobre a audiência com o Secretário de Educação, Sr. Risolia: quando da prestação de contas, o secretário enalteceu a “certificação”, o novo EJA, a democracia nas escolas e o IDEB, ressaltando quanto a este último a sua intenção de melhorar o índice. Confirmou que apenas 20% da categoria irão receber a “certificação” e que o governo terá verba para pagar a gratificação. Ao ser questionado pelo Sepe sobre a verba para aumento salarial para os profissionais da educação, afirmou que para 2013 não haverá recursos. O secretário marcou nova audiência para próxima segunda-feira, dia 17/12, às 16 horas para tratar da pauta sobre animação cultural.

·      Informe sobre licença prêmio: levantou-se o problema da dificuldade de se tirar licença prêmio na rede estadual. A orientação do Sepe é a seguinte: solicitar à Coordenadoria Regional MTS (Mapa do Tempo de Serviço), onde vem lançado ano a ano os códigos de greve abonados, entre outros, e com este documento procurar o Departamento Jurídico do Sepe.

·         Sobre o Horário de funcionamento do Sepe/RJ durante o recesso de fim de ano: Foi aprovado o funcionamento até o dia 20/12, quinta-feira (inclusive), retornando no dia 03/01/2013, quinta-feira.

O ponto sobre contratação dos funcionários para o Sepe/RJ (Sepe Central) foi transferido para o Seminário de direção marcado para os dias 17 e 18 de janeiro de 2013.



Mais informações na página do Sepe/RJ: http://www.seperj.org.br/

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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Encontro de lideranças de aposentados confraterniza e prepara as lutas para 2013



No dia 11 de dezembro, terça-feira, de 10 às 17 horas, ocorreu no auditório do Sepe/RJ o Encontro de Lideranças de Aposentados, quando ocorreu a tradicional confraternização de fim de ano.

A pauta prevista foi a seguinte: 1) Informes gerais; 2) Avaliação do 36º Encontro Estadual dos Aposentados; 3) Organização das lutas para 2013. Compareceram representantes de Núcleos e Regionais e representaram o Núcleo do Sepe Rio das Ostras e Casimiro de Abreu os diretores Anna Ferreira, funcionária aposentada, da Secretaria de Aposentados, e Rosaldo Peixoto, professor aposentado, da Secretaria de Finanças.



A luta dos aposentados da Educação vem de longa data no país e no estado do Rio de Janeiro. Por aqui, o Sepe – Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação – teve e tem tido atuação fundamental na defesa da Escola Pública e de seus profissionais, com destaque na luta dos aposentados pela “paridade com integralidade”.



Isto quer dizer, a garantia dos mesmos índices de reajustes  junto aos profissionais da ativa (sem perdas no poder aquisitivo) e  o direito à aposentadoria com salário integral (sem perdas nos vencimentos).  Daí porque o Sepe não aceitar as políticas de “abonos” e “gratificações” que dividem e enfraquecem o conjunto da categoria.



Houve muitas transformações nas condições de trabalho e de vida dos profissionais da educação ao longo dessa luta. Houve tempo em que o pagamento dos salários ocorria nas escolas através do “carro pagador”.  A atual “conta bancária” é resultado de nossa resistência (mas também da “financeirização” da sociedade).



No passado, as professoras não podiam trabalhar de calça comprida (além de outras discriminações); não havia creches para professoras-mães; não havia Plano de Carreira e a escolha de escolas (com direito à remoção) e de turmas se dava por critérios pouco transparentes.



Durante os “anos de chumbo”, da década de 1960 até a de 1980, o povo brasileiro se organizou e se mobilizou contra a ditadura civil-militar que se instalou no País em nome da “democracia”, quando muitos educadores e estudantes não escaparam do autoritarismo e injustiças. Realidade essa, como é do conhecimento geral, que se espalhou por diversos países da América Latina.



A seguir, veio o chamado processo de redemocratização, pondo fim ao triste regime de exceção com movimentos que marcaram nossa história recente, como as “Diretas-já!”, o “Tortura nunca mais!”, entre outros. Trabalhadores e estudantes estiveram presentes nos muitos atos e marchas nacionais pelas mudanças e, em particular, em defesa da educação pública, gratuita, democrática, laica, universal e de qualidade social. Além da melhoria da qualidade de vida da classe trabalhadora no Brasil.



Até a Constituição de 1988, chamada por muitos de “Cidadã”, os servidores públicos brasileiros não tinham direito à sindicalização, ficando mais vulneráveis aos governantes autoritários de plantão. Aqui também houve muita luta contra a repressão e perseguições às lideranças, sendo mais um direito conquistado às novas gerações de trabalhadores. Num período, o Sepe funcionou na clandestinidade com os riscos inerentes a tal ousadia.



Neste período, o Sepe participou das diversas frentes de mobilização, como na luta pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases) que expressasse uma educação democrática; na luta pelo PNE (Plano Nacional de Educação) construído pela sociedade brasileira, visando garantir os 10% do PIB para a educação pública (luta ainda atual) e na organização do Fórum Nacional em Defesa da Educação Pública, que se desdobrou em outras ações reivindicatórias.



Neste rastro de lutas, outras conquistas deixaram suas marcas: o Plano de Carreira (estadual) arrancado após muitos anos de mobilização; Concurso Público para professores e funcionários administrativos, dificultando o apadrinhamento e clientelismo; até conseguirmos a Carta Sindical outorgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, dando legalidade à representação sindical  legitimada pelas lutas.



A bandeira principal dos aposentados continua sendo a do Plano de Carreira Unificado, que seguidos governos teimam em não concretizar. Alguns vão mais além, quando tentam desmontar o Plano de Carreira em vigor atacando, como agora, os triênios dos servidores civis estaduais. Querem implantar a força um “Plano de Metas” com perfil “meritocrático” tendo como base a lógica mercantil das fábricas: “ganha mais quem produz mais”.



Hoje, antigas lutas continuam em pauta: a paridade com integralidade; o desmonte definitivo do IASERJ (e não apenas do Hospital Central); a incorporação dos R$164,00 para professores aposentados e R$ 50,00 para funcionários administrativos, entre outras.



Nas diversas redes estaduais e municipais, sucessivos governos têm desrespeitado direitos como o do piso salarial profissional nacional e a redução de um terço da carga horária semanal para atividades extraclasse (Lei Federal nº 11.738/2008). Além de existir “assédio moral” generalizado sobre os profissionais da ativa. Lutas essas que os aposentados devem buscar aderir e se agregar.



Muitas têm sido as atividades dos aposentados da educação desde a histórica greve do Sepe de 1979 – verdadeiro “batismo de fogo”. Naqueles tempos, o “Maracanazinho” era pequeno para a multidão militante. São arenas históricas  de lutas: o “sambódromo”, o “teatrão” e a concha acústica da UERJ; a Avenida  Rio Branco; a Candelária e a Cinelândia; a Alerj e arredores; o “banerjão”); o Palácio Guanabara; a Central do Brasil e muitos outros lugares.



Igualmente, muitas têm sido as tarefas: atos públicos e marchas dos aposentados; assembleias, conferências e congressos; reuniões de coletivos, de secretarias e de diretorias; encontros estaduais, regionais e nacionais; seminários, itinerâncias e ocupações; plebiscitos, recadastramentos, cartas e abaixo-assinado etc. Agora, temos  os desafios e as possibilidades das redes sociais...



Daí a importância de se fortalecer as reuniões ordinárias da Secretaria de Aposentados no Sepe Central e nos Núcleos  e Regionais onde existem, e de se criar onde não há; além dos próprios Coletivos de Aposentados, com suas reuniões periódicas de lideranças, como no Rio de Janeiro. A realização dos Encontros Estaduais ocorre segundo o rodízio entre os municípios que se apresentam para sediar o evento, respeitando a distribuição geográfica e a equidade nos pleitos. O objetivo maior é possibilitar a interiorização e o fortalecimento da luta dos aposentados do Sepe.



Ao finalizar mais um ano letivo, o Encontro de Lideranças de Aposentados é mais uma oportunidade, não apenas para confraternizar, mas também para revigorar as lutas que estão por vir. Deve ainda servir de referência para aqueles, veteranos ou novatos, que procuram o seu sindicato para atuar como profissionais militantes (e não meros militantes profissionais) de forma autônoma e independente de governos e de partidos.



É, portanto, este o sonho que nos move para continuar a resistir, ainda como aposentados, nas lutas que tem como origem e orientação o combate ao sistema capitalista rumo a uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Só a luta transforma a vida!

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O comunismo ético de Oscar Niemeyer


Por Leonardo Boff

Não tive muitos encontros com Oscar Niemeyer. Mas os que tive foram longos e densos. Que falaria um arquiteto com um teólogo senão sobre Deus, sobre religião, sobre a injustiça dos pobres e sobre o sentido da vida?

Nas nossas conversas, sentia alguém com uma profunda saudade de Deus. Invejava-me que, me tendo por inteligente (na opinião dele) ainda assim acreditava em Deus, coisa que ele não conseguia. Mas eu o tranquilizava ao dizer: o importante não é crer ou não crer em Deus. Mas viver com ética, amor, solidariedade e compaixão pelos que mais sofrem. Pois, na tarde da vida, o que conta mesmo são tais coisas. E nesse ponto ele estava muito bem colocado. Seu olhar se perdia ao longe, com leve brilho.

Impressionou-se sobremaneira, certa feita, quando lhe disse a frase de um teólogo medieval: "Se Deus existe como as coisas existem, então Deus não existe”. E ele retrucou: "mas que significa isso?” Eu respondi: "Deus não é um objeto que pode ser encontrado por ai; se assim fosse, ele seria uma parte do mundo e não Deus”. Mas então, perguntou ele: "que raio é esse Deus?” E eu, quase sussurrando, disse-lhe: "É uma espécie de Energia poderosa e amorosa que cria as condições para que as coisas possam existir; é mais ou menos como o olho: ele vê tudo mas não pode ver a si mesmo; ou como o pensamento: a força pela qual o pensamento pensa, não pode ser pensada”. E ele ficou pensativo. Mas continuou: "a teologia cristã diz isso?” Eu respondi: "diz mas tem vergonha de dizê-lo, porque então deveria antes calar que falar; e vive falando, especialmente os Papas”. Mas consolei-o com uma frase atribuída a Jorge Luis Borges, o grande argentino:”A teologia é uma ciência curiosa: nela tudo é verdadeiro, porque tudo é inventado”. Achou muita graça. Mais graça achou com uma bela trouvaille de um gari do Rio, o famoso "Gari Sorriso: "Deus é o vento e a lua; é a dinâmica do crescer; é aplaudir quem sobe e aparar quem desce”. Desconfio que Oscar não teria dificuldade de aceitar esse Deus tão humano e tão próximo a nós.

Mas sorriu com suavidade. E eu aproveitei para dizer: "Não é a mesma coisa com sua arquitetura? Nela tudo é bonito e simples, não porque é racional mas porque tudo é inventado e fruto da imaginação”. Nisso ele concordou adiantando que na arquitetura se inspira mais lendo poesia, romance e ficção do que se entregando a elucubrações intelectuais. E eu ponderei: "na religião é mais ou menos a mesma coisa: a grandeza da religião é a fantasia, a capacidade utópica de projetar reinos de justiça e céus de felicidade. E grande pensadores modernos da religião como Bloch, Goldman, Durkheim, Rubem Alves e outros não dizem outra coisa: o nosso equívoco foi colocar a religião na razão quando o seu nicho natural se encontra no imaginário e no princípio esperança. Ai ela mostra a sua verdade. E nos pode inspirar um sentido de vida.”

Para mim a grandeza de Oscar Niemeyer não reside apenas na sua genialidade, reconhecida e louvada no mundo inteiro. Mas na sua concepção da vida e da profundidade de seu comunismo. Para ele "a vida é um sopro”, leve e passageiro. Mas um sopro vivido com plena inteireza. Antes de mais nada, a vida para ele não era puro desfrute, mas criatividade e trabalho. Trabalhou até o fim, como Picazzo, produzindo mais de 600 obras. Mas como era inteiro, cultivava as artes, a literatura e as ciências. Ultimamente se pôs a estudar cosmologia e física quântica. Enchia-se de admiração e de espanto diante da grandeur do universo.

Mas mais que tudo cultivou a amizade, a solidariedade e a benquerença para com todos. "O importante não é a arquitetura” repetia muitas vezes, "o importante é a vida”. Mas não qualquer vida; a vida vivida na busca da transformação necessária que supere as injustiças contra os pobres, que melhore esse mundo perverso, vida que se traduza em solidariedade e amizade. No JB de 21/04/2007 confessou: ”O fundamental é reconhecer que a vida é injusta e só de mãos dadas, como irmãos e irmãs, podemos vive-la melhor”.

Seu comunismo está muito próximo daquele dos primeiros cristãos, referido nos Atos dos Apóstolos nos capítulos 2 e 4. Ai se diz que "os cristãos colocavam tudo em comum e que não havia pobres entre eles”. Portanto, não era um comunismo ideológico, mas ético e humanitário: compartilhar, viver com sobriedade, como sempre viveu, despojar-se do dinheiro e ajudar a quem precisasse. Tudo deveria ser comum. Perguntado por um jornalista se aceitaria a pílula da eterna juventude, respondeu coerentemente: "aceitaria se fosse para todo mundo; não quero a imortalidade só para mim”.

Um fato ficou-me inesquecível. Ocorreu nos inícios dos anos 80 do século passado. Estando Oscar em Petrópolis, me convidou para almoçar com ele. Eu havia chegado naquele dia de Cuba, onde, com Frei Betto, durante anos dialogávamos com os vários escalões do governo (sempre vigiados pelo SNI), a pedido de Fidel Castro, para ver se os tirávamos da concepção dogmática e rígida do marxismo soviético. Eram tempos tranquilos em Cuba que, com o apoio da União Soviética, podia levar avante seus esplêndidos projetos de saúde, de educação e de cultura. Contei que, por todos os lados que tinha ido em Cuba, nunca encontrei favelas mas uma pobreza digna e operosa. Contei mil coisas de Cuba que, segundo frei Betto, na época era "uma Bahia que deu certo”. Seus olhos brilhavam. Quase não comia. Enchia-se de entusiasmo ao ver que, em algum lugar do mundo, seu sonho de comunismo poderia, pelo menos em parte, ganhar corpo e ser bom para as maiorias.

Qual não foi o meu espanto quando, dois dias após, apareceu na Folha de São Paulo, um artigo dele com um belo desenho de três montanhas, com uma cruz em cima. Em certa altura dizia: "Descendo a serra de Petrópolis ao Rio, eu que sou ateu, rezava para o Deus de Frei Boff para que aquela situação do povo cubano pudesse um dia se realizar no Brasil”. Essa era a generosidade cálida, suave e radicalmente humana de Oscar Niemeyer.

Guardo uma memória perene dele. Adquiri de Darcy Ribeiro, de quem Oscar era amigo-irmão, um pequeno apartamento no bairro do Alto da Boa-Vista, no Vale Encantando. De lá se avista toda a Barra da Tijuca até o fim do Recreio dos Bandeirantes. Oscar reformou aquele apartamento para o seu amigo, de tal forma que de qualquer lugar que estivesse, Darcy (que era pequeno de estatura), pudesse ver sempre o mar. Fez um estrado de uns 50 centímetros de altura E como não podia deixar de ser, com uma bela curva de canto, qual onda do mar ou corpo da mulher amada. Aí me recolho quando quero escrever e meditar um pouco, pois um teólogo deve cuidar também de salvar a sua alma.

Por duas vezes se ofereceu para fazer uma maquete de igrejinha para o sítio onde moro em Araras em Petrópolis. Relutei, pois considerava injusto valorizar minha propriedade com uma peça de um gênio como Oscar. Finalmente, Deus não está nem no céu nem na terra, está lá onde as portas da casa estão abertas.

A vida não está destinada a desaparecer na morte, mas a se transfigurar alquimicamente através da morte. Oscar Niemeyer apenas passou para o outro lado da vida, para o lado invisível. Mas o invisível faz parte do visível. Por isso ele não está ausente, mas está presente, apenas invisível. Mas sempre com a mesma doçura, suavidade, amizade, solidariedade e amorosidade que permanentemente o caracterizou. E de lá onde estiver, estará fantasiando, projetando e criando mundos belos, curvos e cheios de leveza.

Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=72688

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

“Ceia da Miséria”: Sepe realiza ato público para denunciar condições da rede estadual e de seus profissionais



No dia 5 de dezembro, quarta-feira, à tarde, o Sepe realizou ato público para denunciar as péssimas condições da rede estadual de educação e de seus profissionais, em frente à SEPLAG, no Centro do Rio de Janeiro. O Núcleo do Sepe Rio das Ostras e Casimiro de Abreu esteve presente junto a outras representações de Núcleos e Regionais.

Nesta edição de 2012 da “Ceia da Miséria”, a categoria, mais uma vez, tem muito pouco a comemorar ao fim de mais um ano de muito trabalho e  lutas. A dupla Cabral/Risolia representa a culminância dos ataques à escola pública no estado do Rio de Janeiro.



Vejamos parte do “legado” desses senhores:

1) Fechamento de dezenas de escolas e “otimização” de turmas obrigando os professores a terem mais de uma escola para cumprir sua carga horária semanal de trabalho;

2) O “Projeto Autonomia” tem como objetivo acelerar as aprovações e, com isso, mascarar conhecimento e índices, enxugando gastos e explorando mais os professores;

3) Manutenção da matriz curricular reduzida com 25 tempos semanais para o fundamental e 27 tempos para o ensino médio, além de retirar tempos de Filosofia e Sociologia, empobrecendo mais o ensino;



4) O governo estadual quer ainda acabar com os triênios quando enviou para o STF uma Ação de Inconstitucionalidade (ADIN 4782) questionando a concessão deste benefício estabelecido na Constituição Estadual;

5) Os funcionários administrativos são também discriminados quando o governo não cumpre a implantação do Plano de Carreira conquistado na greve, além de não pagar a gratificação de difícil acesso;

6) Os animadores culturais estão ameaçados de demissão a partir de ação impetrada pelo Ministério Público Estadual pedindo extinção do cargo na Justiça;



7) “Fiscais” de Risolia agora estão chegando às escolas, a mando do Banco Mundial (BIRD), para supervisionar e avaliar professores em salas de aula para medir sua “eficiência”;

8) “Certificação”é o mais novo ataque da SEEDUC que, ao invés de valorizar o conjunto da categoria, com salários dignos e justos, ao contrário, a divide com bonificações com base na ideologia da “meritocracia” – ganha mais, quem obedece e produz mais – como numa empresa ou fábrica qualquer;



9) O “Plano de Metas” é a “pedra angular” do conjunto de ataques desferidos, até então pelo governo estadual, cumprindo à lógica neoliberal do Banco Mundial que visa comprometer o ensino público de  qualidade, aprofundando a mercantilização da educação;

10) Em 2013, o arrocho salarial vai continuar, uma vez que a Lei Orçamentária Estadual para esse ano enviada pelo governo para aprovação na Alerj não prevê verbas para reajuste salarial, somente para os setores de segurança pública.



Assim, como dito acima, nesta “virada” de ano, os profissionais de educação tem muito pouco a comemorar. Restando responder à altura aos senhores Cabral e Risolia em suas investidas para implantar o Plano de Metas e a Meritocracia – com mais mobilização e muita luta!

Fonte: Boletim Informativo do Sepe/RJ, de 26/11/2012

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Núcleo realizou assembleia unificada das redes estadual e municipal de Casimiro de Abreu



No dia 28 de Novembro, quarta-feira, às 18 horas, o Núcleo do Sepe Rio das Ostras e Casimiro de Abreu  realizou sua assembleia geral unificada das redes estadual e municipal de Casimiro de Abreu, no Pavilhão dos Esportes, no Centro de Casimiro de Abreu.

A pauta visava cumprir dois pontos principais: 1) A construção da pauta de reivindicações das redes; e 2) Assuntos Gerais.

Quanto à rede estadual, foram abordados os informes a partir das deliberações do Conselho Deliberativo de 24 de novembro (cuja íntegra está neste blog). No essencial, existe um indicativo de greve para início do ano letivo de 2013, priorizando a luta contra a “certificação” e a defesa dos triênios; petição pública contra o Plano de Metas meritocrático do governo; retorno da matriz de 30 tempos; iniciar o ano letivo com um seminário para a categoria, buscando unir as  redes; debater a política educacional que queremos etc.



Apesar da situação bastante desfavorável, com seguidos ataques dos senhores  Cabral e Risolia, o Sepe tem conseguido alguns ganhos, que não devem ser desprezados como, por exemplo, manutenção do Plano de Carreira do magistério; aprovação do Plano de Carreira dos profissionais de 40 horas; fim do Programa Nova Escola com incorporação total da gratificação, incluindo os aposentados antes fora do Programa etc.

Quanto à rede municipal de Casimiro de Abreu, a direção do Núcleo adotou a política de convocar assembleias unificadas (estado e município) de forma alternada, ora em Casimiro de Abreu, ora em Rio das Ostras, lembrando o distrito de Barra de S. João.

A rede local tem apresentado problemas crônicos como acontece em outras redes de ensino, como baixos salários, sem reposição das perdas; o Plano de Carreira desatualizado e fragmentado; rede física das escolas e creches precisando de ampliação e reformas, entre outros itens.

Há ainda “novos” problemas levantados na assembleia, como o pagamento não correto do acordo do governo com um segmento de professores que fazem  hora extra no período de carga horária reduzida (Lei do 1/3 da carga para planejamento). Outro problema diz respeito aos diretores que não tem garantia de lotação na mesma escola quando finalizam a sua gestão como diretor(a).



Foi apresentado o calendário de mobilização para o próximo período: 5 de dezembro de 2012: “Ceia da Miséria” e protesto na SEPLAG, às 14 horas; 22 de fevereiro de 2013: Conselho Deliberativo do Estado, às 18 horas; 23 de fevereiro de 2013: Assembleia Geral (local e horário a confirmar); quanto a assembleia geral unificada das redes locais, a direção do Núcleo definirá e divulgará dia, horário e local, que deverão ocorrer antes do dia 22 de fevereiro.

Só a luta transforma a vida!

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