terça-feira, 31 de março de 2015

Assembleia Eleitoral do Sepe/RJ: Veja aqui as deliberações


Os Profissionais da Educação do Rio de Janeiro, reunidos em Assembleia Eleitoral no dia 28 de março de 2015 aprovou os seguintes destaques, após leitura do regimento eleitora, para eleição da nova diretoria para o período 2015/2018:


*Calendário: eleições nos dias 30 de junho, 1º e 2 de julho de 2015

*Convocação oficial das eleições: 16 de abril de 2015

*Inscrição de Chapas: de 17 à 30 de abril de 2015 – até às 22h no SEPE CENTRAL

*Para candidatar-se: Filiação até o dia 1º de abril de 2015

*Para ser eleitor: Filiação até 30 de abril de 2015


Das Comissões Eleitorais:

*1ª reunião da Comissão eleitoral: 06 de abril de 2015

*Assembleias Locais para eleição da comissão eleitoral local: de 06 a 24 de abril de 2015

*As assembleias para a eleição das Comissões Eleitorais Locais deverão ser informadas, no mínimo, com 5 (cinco) dias de antecedência à Comissão Eleitoral Estadual

*Primeira versão da relação de eleitores até o dia 08 de maio de 2015

*Prazo para solicitação de revisão, inclusão ou exclusão de eleitores: até o dia 15 de maio de 2015

*A CEE analisará e decidirá sobre essas solicitações até o dia 23 de maio de 2015

*Versão final – da relação de eleitores será divulgada dia 25 de maio de 2015

*Análise da CEE (Comissão Eleitoral Estadual) dos recursos sobre a listagem: até dia 30 de maio de 2015

*Decisão acerca dos recursos anteriores: até o dia 1º de junho de 2015


Do Conselho De Classe:


Entrega dos programas: até 08 de Maio de 2015

Prazo para postagem: 30 de maio de 2015

Em tempo: aprovado que núcleos e regionais farão materiais com as chapas locais, com exceção dos núcleos de repasse mínimo – obedecendo ao prazo do Conselho de Classe.


Adendos aprovados:


*Os diretores do SEPE deverão estar quitados por todo o período da gestão;

*Animação cultural: pagamento dos últimos 6 (seis) meses;

*Promoção de debate público com filmagem para postar na página – das chapas do SEPE/RJ.

*Do Art. 13 - Além dos documentos relacionados neste artigo no regimento para inscrição dos candidatos, adendado: comprovante de residência;

*Do Art. 15 § 1º: Adendo: Ao se candidatar para Núcleo ou Regional o profissional deverá comprovar vínculo e/ou moradia; o candidato que esteja licenciado deverá comprovar o vínculo – o último, e/ou moradia, e o de fora de rede deverá comprovar moradia; com exceção dos aposentados.

*Mantendo todo o Art. 15 § 2º - Adendo: Todas as auditorias dos núcleos também estarão inseridas no prazo de prestação de contas para candidaturas;

*Do Art. 14 – Adendo: Indicativo de que as chapas de núcleos e regionais tenham secretaria de aposentados.

Do Colégio Eleitoral:

Do Art. 16 – Datas aprovadas anteriormente– Adendo: – Inciso II: “Os funcionários terceirizados em dia com suas contribuições sindicais mensais desde que comprovem vinculação a uma unidade escolar pública pelo contracheque, ou documento da empresa terceirizada confirmada por declaração formal da correspondente unidade escolar, bem como os profissionais com matrículas demitidos...”. Inciso III – parágrafo único – entrega de filiações até 30 de abril de 2015, ou postados na mesmo data; ainda no inciso III – as redes municipais que estão sem repasse por perseguição dos governos,foi mantido na íntegra;

Das Eleições:

Art. 18 – Urnas: 1 para cada 10 escolas na Capital e 1 para cada 100 filiados nos núcleos e no terceiro dia diminuir o quantitativo de urnas pela metade; adendo: as urnas e listagens deverão chegar no dia anterior às eleições nas sedes; 

Art. 19 – Roteiros: deverão ser enviados até 15 de junho de 2015 à Comissão Eleitoral Central

Art. 23 – Horário da votação: mantido na íntegra

Da Votação: 

Art. 30 – Identificação do Eleitor: Manutenção na íntegra do artigo

Da Apuração:

Art. 37 – Parágrafo Único: Verificação do voto em separado no dia 03 de julho

Art. 40 - Parágrafo Único: Membros da Comissão de Totalização serão indicados até o dia 02 de julho


Das Disposições Finais:


Art. 43 – Substituição: “ o quórum será estabelecido pela soma dos filiados com desconto em folha em todas as redes públicas

Art. 44 – Adendo: A direção deverá reapresentar a prestação de contas da última eleição até a data da inscrição de chapas.

Da eleição da Comissão Eleitoral 2015: Foi aprovado o número de 7 (sete) membros para a Comissão Eleitoral, assim que os nomes estiverem formalizados, serão disponibilizados na página do SEPE/RJ.


Rio de Janeiro, 28 de março de 2015


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Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
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Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
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Dia 07 de Abril - Encontro de Lideranças de Aposentados do Sepe/RJ





Fonte: Sepe/RJ


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O familiar "Homo ignorans"


Por Ladislau Dowbor

O homo sapiens todos conhecemos. Inclusive a maior parte da teoria econômica e das teorias das transformações sociais se baseia numa compreensão otimista de que o homem absorve conhecimentos, confronta-os com os seus objetivos racionalmente entendidos, e procede de acordo. Quando erra, analisa os erros e corrige a sua visão para não repeti-los.

Naturalmente, é agradável pensarmos que somos, conforme aprendi na escola, animais racionais, racionalidade que nos separaria confortavelmente dos animais. As minhas dúvidas aumentam proporcionalmente à minha idade, o que significa que são elevadas. Pensar que somos mais do que somos é uma atitude muito difundida. A bíblia já abre com o tom adequado: Deus nos criou à sua imagem e semelhança, o que implica por virtude dos espelhos que somos semelhantes nada mais nada menos que a Ele. O tamanho desta pretensão, e o fato de passar tão desapercebida e natural, já mostra a que ponto a nossa racionalidade pode ser adaptada ao que é agradável, mas não necessariamente ao que é verdadeiro.

Pensar na dimensão irracional da nossa inteligência, ou nas raízes interessadas e ideologicamente deformadas do que nos parece racionalmente verdadeiro, é muito interessante. Existe um termo simpático para isto, que é a racionalização. Fazemos uma construção racional em cima de fundamentos profundamente enterrados na confusão de paixões, medos, ódios e sentimentos contraditórios. Quanto maior o preconceito – no sentido literal, raiz emocional que assume a postura antes do entendimento – maior parece ser a busca do sentimento de superioridade moral.

Devemos lembrar como foram denunciados e massacrados ou ridicularizados os que lutaram pelo fim da escravidão, pelo fim da discriminação racial, pelos direitos de organização dos trabalhadores, pelo voto universal, pelos direitos das mulheres? Hoje é a mesma luta pela redução das desigualdades, pelo fim da destruição do planeta, pela democratização de uma sociedade asfixiada por interesses econômicos. Aqui precisamos de muito bom senso e generosidade. Ou seja, emoções e indignações sim, mas apoiadas na inteligência do que acontece no mundo e visando o interesse maior de todos, e não no interesse particular de defesa dos privilégios.


Aqui realmente é preciso de muita ignorância, ou seja, desconhecimento (voluntário ou não), para não se dar conta dos desafios reais. O aquecimento global é uma ameaça real, mas a direita tende a negar, como se o termômetro e a medida dos gazes de efeitos de estufa fossem de esquerda. O desmatamento generalizado do planeta está levando a perdas de solo fértil em grande escala, quando iremos precisar de mais área de plantio. A vida nos mares está sendo esgotada pela sobrepesca e em 40 anos, segundo o WWF, perdemos 52% da vida vertebrada no planeta. É um desastre planetário espantoso, mas não aparece na mídia comercial. Os dados sobre a inviabilização ambiental do planeta são hoje amplamente comprovados. Mas as opiniões se dividem: é questão de opinião ou de conhecimento dos dados?

No plano social é mais impressionante ainda: até Davos escuta e divulga as pesquisas da Oxfam, do Banco Mundial e das Nações Unidas, dos inúmeros institutos de pesquisa estatística em todos os países sobre a desigualdade crescente da renda. Pior, temos agora os dados da desigualdade do patrimônio acumulado das famílias – 85 famílias são donas de mais riqueza acumulada do que 3,5 bilhões de pessoas na base da pirâmide social – gerando tensões insustentáveis, mas em Wall Street enchem a boca e declaram “greed is good”, é bom ser ganancioso. Sobre esta desigualdade de patrimônio uma das principais fontes é o Crédit Suisse, que tem boas razões para entender tudo de fortunas familiares. Vamos tampar os olhos e fazer de conta que acreditamos que é possível manter a paz política e social num planeta onde 1,3 bilhões não têm acesso à luz elétrica, 2 bilhões não têm acesso a fontes decentes de água, 850 milhões passam fome. Tem sentido acreditar no bom pobre¸ que se resigna e aceita, quando hoje até no último degrau da pobreza há uma consciência do direito a ter uma escola decente para o filho, saúde básica para a família? Aqui já não são apenas os olhos e os ouvidos que estão tapados, e sim a própria inteligência.

E porque toda esta riqueza acumulada no topo não serve para as reconversões tecnológicas que nos permitam salvar o planeta, e para financiar as políticas sociais e inclusão produtiva capaz de reduzir as desigualdades? Basicamente porque está situada em paraísos fiscais, aplicada em sistemas de especulação financeira, sequer interessada em investimentos produtivos tradicionais. Os 737 grupos que controlam 80% das atividades corporativas do planeta são essencialmente grupos financeiros. Fonte? O Instituto Federal Suíço de Pesquisa Tecnológica. São recursos que não só se aplicam em especulação financeira em vez de investimento produtivo, como migram para paraísos fiscais onde não pagam impostos. O Economist estima que sejam 20 trilhões de dólares, um pouco menos de um terço do PIB mundial.

O Brasil tem cerca de 520 bilhões de dólares em paraísos fiscais, da ordem de 25% do PIB. O HSBC que o diga. Mas no Brasil a grande vitória é a eliminação da CPMF que cobrava ridículos 0,38% sobre movimentações financeiras. No Brasil a direita identifica o culpado pelas dificuldades atuais: não o desvio de recursos através da máquina financeira, mas os excessos de gastos sociais do governo. Ainda bem que temos a corrupção para canalizar a atenção e os ódios. O uso produtivo dos recursos não seria mais inteligente?

Não há nenhuma confusão sobre as dimensões propositivas: se estamos destruindo o planeta em proveito de uma minoria que pouco produz e muito especula, trata-se de tributar a riqueza improdutiva para financiar as políticas tecnológicas, ambientais e sociais indispensáveis aos equilíbrios do planeta. Com Ignacy Sachs e Carlos Lopes apontamos rumos básicos no documento Crises e Oportunidades em Tempos de Mudança, não são ideias que faltam: falta muita gente que tampa o sol com a peneira dos seus interesses se dar conta dos desafios reais que enfrentamos.

Confesso que ando preocupado. Parece que quanto maior a bobagem declarada, maior o sentimento de superioridade moral. E o ódio, esta eterna ferramenta dos preconceituosos, é um sentimento agradável quando se consegue encobrir o interesse com um véu de ética. Nesta nossa guerra permanente entre o frágil homo sapiens e o poderoso e arrogante homo ignorans, a olhar pelo mundo afora, e pelos gritinhos histéricos de extremistas por toda parte – sempre em nome de elevados sentimentos morais e com amplas justificações racionais – o direito ao ódio parece superar todos os outros. Pobre Deus, nosso semelhante.





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segunda-feira, 30 de março de 2015

Conversando com versos (122): "Arrufos", de Artur de Azevedo (1855-1908)



"Arrufos"

Não há no mundo quem amantes visse
Que se quisessem como nos queremos;
Mas hoje uma questiúncula tivemos
Por um caprichozinho, uma tolice.

- Acabemos com isto! ela me disse,
E eu respondi-lhe assim: - Pois acabemos!
- E fiz o que se faz em tais extremos:
Peguei no meu chapéu com fanfarrice,

E, dando um gesto de desdém profundo,
Saí cantarolando. Está bem visto
Que a forma ali contradizia o fundo.

Ela escreveu. Voltei. Nem Jesus Cristo,
Nem minha Mãe, voltando agora ao mundo,
Foram capazes de acabar com isto!


Fonte: Internet/ Clube da Poesia


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Como desmontar o ódio social?



Por Leonardo Boff


Estamos constatando que vigora atualmente muito ódio e raiva na sociedade, seja pela situação geral de insatisfação que perpassa a humanidade, mergulhada numa profunda crise civilizacional, sem que ninguém nos possa dizer como seria a sua superação e para onde este voo cego nos poderia conduzir. O inconsciente coletivo detecta este mal-estar como já antes Freud o descrevera em seu famoso texto O mal estar na cultura (1929-1930) e que, de alguma forma, previa os sinais de uma nova guerra mundial.

O nosso mal-estar é singular e se deriva das várias vitórias do PT com suas políticas de inclusão social que beneficiaram 36 milhões de pessoas e elevaram 44 milhões à classe média. Os privilegiados históricos, a classe alta e também a classe média se assustaram com um pouco de igualdade conseguida por aqueles que estavam fora. O fato é que, por um lado vigora uma concentração espantosa de renda e, por outro, uma desigualdade social que se conta entre as maiores do mundo. Essa desigualdade, segundo Marcio Pochmann no segundo volume de seu Atlas da Exclusão social no Brasil (Cortez 2014) diminuiu significativamente nos últimos dez anos mas é ainda muito profunda, fator permanente de desestabilização social.

Como notou bem o economista e bom analista social, do partido do PSDB, Luiz Carlos Bresser Pereira, o que foi assumido em sua coluna dominical ((8/3) por Verissimo, tal fato “fez surgir um fenômeno nunca visto antes no Brasil, um ódio coletivo da classe alta, dos ricos a um partido e a um presidente; não é preocupação ou medo; é ódio…; a luta de classes voltou com força; não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia insatisfeita”.

Estimo correta esta interpretação que corrobora o que escrevi neste espaço com dois artigos”O que se esconde atrás do ódio ao PT”. É a emergência de milhões que eram os zeros econômicos e que começaram ganhardignidade e espaços de participação social, ocupando os lugares antes exclusivos das classes beneficiadas. Isso provocou raiva e ódio aos pobres, aos nordestinos, aos negros e aos membros da nova “classe média”.

O problema agora é como desmontar este ódio? Uma sociedade que deixa esse espírito se alastrar, destrói os laços mínimos de convivência sem os quais ela não se sustenta. Corre o risco de romper o ritmo democrático e instaurar a violência social. Depois das amargas experiências que tivemos de autoritarismo e da penosa conquista da democracia, devemos, por todos os modos, evitar as condições que tornem o caminho da violência incontrolável ou até irreversível.

Em primeiro lugar, na linha sábia de Bresser Pereira, faz-se urgente um novo pacto social que vá além daquele criado pela constituição de 1988, pacto que reuna empresários, trabalhadores, movimentos sociais, meios de comunicação, partidos e intelectuais que distribua melhor os ônus da superação da atual crise nacional (que é global) e que, claramente convoque os rentistas e os grandes ricos, geralmente articulados com os capitais transnacionais a darem a sua contribuição. Eles também devem ser um Simão Cireneu que ajudou o Mestre a carregar a cruz.

Deve-se mudar não apenas a música mas também a letra. Em outras palavras, importa pensar mais no Brasil como nação e menos nos partidos. Estes devem dar centralidade ao bem geral e unir forças ao redor de alguns valores e princípios fundamentais, buscando convergências na diversidade, em função de um projeto-Brasil viável e que torne menos perversa a desigualdade, outro nome, para a injustiça social.

Estimo que amadurecemos para esta estratégia do ganha-ganha coletivo e que seremos capazes de evitar o pior e assim não gastar tempo histórico que nos faria ainda mais retardatários face ao processo global de desenvolvimento social e humano nafase planetária da humanidade.

Em segundo lugar, creio na força transformadora do amor como vem expresso na Oração de São Francisco:”onde houver ódio que eu leve o amor”. O amor aqui é mais que um afeto subjetivo; ele ganha uma feição coletiva e social: o amor a uma causa comum, amor ao povo como um todo, especialmente, àqueles mais penalizados pela vida, amor à nação (precisamos de um sadio nacionalismo), amor como capacidade de escutar as razões do outro, como abertura ao diálogo e à troca.

Se não encontrarmos nem escutarmos o outro, como vamos saber o que pensa e pretende fazer? Então começamos a imaginar e a projetar visões distorcidas, alimentar preconceitos e destruímos as pontes possíveis que ligam as margens.

Precisamos dar mais espaço à nossa “cordialidade” positiva (pois há também a negativa) que nos permite sermos mais generosos, capazes de olhar para frente e para cima e deixar para trás o que ficou para trás e não deixar que o ressentimento alimente a raiva, a raiva o ódio e o ódio, a violência que destrói a convivência e sacrifica vidas.

As igrejas, os caminhos espirituais, os grupos de reflexão e ação, especialmente a midia etodas as pessoas de boa-vontade podem colaborar no desmonte desta carga negativa. E contamos para isso com a força integradora dos contrários que é o Espírito Criador que perpassa a história e a vida pessoal de cada um.


Fonte: http://www.jb.com.br/leonardo-boff/noticias/2015/03/30/como-desmontar-odio-social/


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Março de 2015 não foi uma continuidade de junho de 2013


Por Valério Arcary


Corremos alegres para o precipício, quando pomos pela frente algo que nos impeça de o ver (1).
Blaise Pascal


Durante a manifestação de abril de 1917 uma parte dos bolcheviques lançou a palavra de ordem: “Abaixo o governo provisório”. O Comitê Central logo chamou à ordem os ultraesquerdistas. Devemos, é claro, propagar a necessidade de derrubar o governo provisório, mas não podemos ainda chamar as massas às ruas por essa palavra de ordem, pois estamos ainda em minoria na classe operária. Se, nessas condições, conseguimos derrubar o governo provisório, não o poderemos substituir e, por conseguinte, auxiliaremos a contrarrevolução (2).
Leon Trotsky

Quando se trata da história do tempo presente, não encontraremos nunca interpretações definitivas, apenas explicações que diminuem as margens de erro, que reduzem os inevitáveis impressionismos, ou seja, se superam. Assim avança o conhecimento.

Uma das curiosidades dos debates provocados pelas manifestações do domingo, dia 15 de março, foi um inusitado acordo de análise entre alguns dos mais ardorosos defensores da oposição de direita e alguns dos mais inteligentes defensores críticos do governo: março de 2015 teria raízes e seria de alguma maneira uma continuidade de junho de 2013 (3).

Mas esta análise é uma ilusão de ótica do relógio da história. Junho de 2013 foi o contrário de março de 2015. Não foi somente mais jovem e, socialmente, mais proletário (4). Os protestos de junho de 2013 foram em defesa de transportes, educação e saúde pública. Dia 15 de março, a maioria era de apoio a mais privatizações. A multidão pulava e gritava “nossa bandeira jamais será vermelha”.

Junho de 2013 foi contra todos os governos. Os protestos, depois do dia 13 de junho, foram acéfalos, sem direção. As manifestações de março de 2015 foram, politicamente, só contra o governo de Dilma Rousseff, e com direção claríssima. A nova direita, e até a extrema-direita, com apoio dos partidos eleitorais da direita institucional. Esta diferença é qualitativa. Portanto, se considerarmos o programa do dia 15/03, a composição social de quem foi às manifestações e a sua direção, três fatores chaves, não há razões para muitas dúvidas.

Junho de 2013 foi progressivo e herdeiro do Fora Collor de 1992. Quem se posiciona na continuidade de 2013 são as greves dos trabalhadores. Como a resistência operária contra as demissões nas montadoras. Como a greve dos professores do Paraná que encurralou Beto Richa e, nas duas últimas semanas, a dos professores de São Paulo.

Março de 2015 foi reacionário, e herdeiro da polarização da campanha eleitoral de 2014, um dos processos eleitorais mais demagógicos da história do Brasil. O impeachment de Dilma, na atual correlação de forças, seria uma solução reacionária porque abriria, necessariamente, uma situação pior para a resistência dos trabalhadores. Os inimigos de nossos inimigos não são nossos amigos. Não há somente dois campos no Brasil. Há uma disputa entre dois campos burgueses, e uma oposição de esquerda que, embora minoritária, é a única que representa o campo dos trabalhadores.

Março de 2015 foi reacionário pelo seu programa e direção. Não porque aqueles que foram às ruas fossem fascistas – que os há, evidentemente, mas eram uma minoria. E mesmo a caracterização de “massas de direita” precisa ser relativizada. Que a maioria dos que saíram às ruas tivessem a camisa amarela da seleção, uma forma simples de identidade nacional, não deve alimentar hipocondria política. Ou Alzheimer: nas Diretas Já o amarelo foi a cor das manifestações, e motivou um lindo samba do Chico Buarque (5).

No Brasil, autodefinições de tipo ideológico, como direita e esquerda, fazem ainda pouco sentido para a imensa maioria da população. Temos pouca tradição de organização política, quando comparados com, por exemplo, sociedades vizinhas como Uruguai e Argentina. O pertencimento é definido por outras experiências: região de origem, identidades variadas e, sobretudo, condição de classe (6).

Os protestos de junho de 2013 foram uma luta em processo, uma disputa, uma aposta e, como sempre em qualquer combate, reinou, enquanto se desenvolvia a incerteza do seu desenlace. Os grandes momentos na luta de classes não podem ser analisados, somente, pelo desenlace final. Ou pelos seus resultados. Estes explicam, facilmente, mais sobre a reação que os derrotou. Na história não se pode explicar o que aconteceu considerando somente o desfecho. Isso é anacrônico. O fim de um processo não o explica. Na verdade, o contrário é muito mais verdadeiro. O futuro não decifra o passado, apenas o reinterpreta.

É uma armadilha da mente imaginar que há desenvolvimento linear de processos, e procurar sempre raízes de fatos recentes em acontecimentos passados, sem perceber o perigo da inversão do significado. Embora tentador, este viés é sempre arriscado. Porque nas nossas vidas, na natureza e na história das sociedades, fases de evolução lineares, mais ou menos constantes, dão lugar a fases de aceleradas transformações.

Junho de 2013 não explica março de 2015, mas a campanha eleitoral de 2014 ajuda muito a compreendê-lo. Entre o segundo turno de 2014 e o passado dia 15 de março, aconteceu o que era previsível: o governo de coalizão liderado pelo PT aceitou a orientação de Lula e, assustado pela pressão burguesa nacional e internacional pelo ajuste fiscal, cedeu. Dilma, “coração valente”, abandonou, olimpicamente, as promessas eleitorais e assumiu o programa do PSDB de Aécio Neves. Sucessivos estelionatos eleitorais têm consequências.

A crise política deslocou para a oposição a maioria da população. As pesquisas de opinião se sucedem e confirmam que a aprovação do governo Dilma desmorona, vertiginosamente. Quase 60% apoiam o impeachment (7).

No entanto, pesquisa realizada pela FPA (Fundação Perseu Abramo) confirma que, na Paulista, no dia 15, esteve presente, sobretudo, uma maioria assalariada com alta escolaridade (8). Quem são, socialmente, os manifestantes do dia 15/03? Os números revelados pela pesquisa são esmagadores. Entre aqueles que se autodefiniram como empregadores, empreendedores e profissionais liberais, eram 24% dos presentes, e mais de 40% admitiram uma renda mensal igual ou superior a 10 salários mínimos, quando a proporção com este rendimento no universo da cidade é menor que 10% da população.


A luta contra a corrupção não é reacionária. É progressiva. Mas uma luta progressiva não significa que justifica uma unidade na ação entre a oposição de esquerda e a oposição de direita. As manifestações do dia 15, convocados pela nova direita Movimento Brasil Livre e pelo Vem pra Rua, mas também pelo Revoltados on line, de extrema-direita, foram reacionárias. Mas não porque as pessoas que lá estiveram se mobilizaram contra a corrupção. Tanto a luta pelas Diretas, em 1984, quanto pelo Fora Collor, em 1992, tiveram como um dos seus combustíveis centrais a luta contra a corrupção. Mas porque o seu eixo foi a derrubada de Dilma (9).


Quem avalia que a corrupção não tem solução não defende uma posição madura, mas cética e cínica. O que não significa ter uma ilusão ingênua nas instituições de controle: CGU, TCU, CADE, MP (Ministério Público); pior ainda na Justiça Federal. Tampouco merece qualquer expectativa uma reforma política que venha a ter como espaço de elaboração o atual Congresso Nacional.

Isto posto, não responde ao problema de análise do dia 15/03 recuperar a velha tese de que “a classe média tradicional tem horror à ascensão social dos pobres” (10). Um argumento mais forte para a compreensão do apelo da nova direita parece ser a maior influência de ideias liberais – “estatais são sempre menos eficientes e mais corruptas que empresas privadas”, por exemplo. Subestimar o impacto da operação Lava Jato é um grave erro de análise na percepção do que foi o dia 15 de março.

A denúncia e o combate contra a corrupção são um tema importante da luta pela revolução brasileira, uma revolução que tem um programa democrático que não se resume à defesa da reforma agrária e da libertação nacional. Claro que a ilusão de o problema do Brasil ser a corrupção é falsa. A corrupção é um câncer, mas é preciso ter sentido das proporções. O maior problema do Brasil é a exploração capitalista. É a pobreza, a desigualdade social, a ignorância. São todos produtos do capitalismo. A única saída é anticapitalista

A vida demonstrou, porém, o quanto estavam errados aqueles que defenderam a incrível tática de participação da esquerda no passado dia 15/03 (11). Nosso lugar é nas ruas, mas sob outra bandeira. Por isso é tão importante cercar de apoio as lutas em curso, a começar pelas greves de professores em vários estados. Neles, e com eles, a esperança de junho de 2013 volta a viver.


Notas:


2) TROTSKY, Leon. Revolução e contrarrevolução na Alemanha. São Paulo: Editora José Luís e Rosa Sundermann, 2011. P. 78.

3) Demétrio Magnoli é representativo dos que apoiaram o dia 15. Disponível em:http://www1.folha.uol.com.br/colunas/demetriomagnoli/2015/03/1606160-chefe-de-faccao.shtml

4) André Singer é representativo daqueles que se situam no campo do governo com uma posição crítica. Disponível em:
Consulta em 28/10/2013.

5) A canção se chama Pelas Tabelas, de 1984. Disponível em:
Consulta 25/03/2015

6) Mudam os critérios para aferição do significado de direita, centro e esquerda? Sim, mudam. Direita e esquerda são uma classificação de tipo histórica. Direita e esquerda são critérios que surgiram no século XVIII, no calor da revolução democrática. Quando da revolução francesa, direita eram aqueles que defendiam o Antigo Regime, e esquerda aqueles que queriam derrotá-lo. O conteúdo desta classificação, no século XXI, deve remeter aos antagonismos do presente.

Porque as pessoas não se definem, prioritariamente, pela força dos argumentos, e sim pela força dos interesses. Para o marxismo, o campo da esquerda é o do movimento proletário em sua luta contra a propriedade privada. Quem reconhece a legitimidade da luta da classe trabalhadora é de esquerda. Pode se posicionar ou porque é assalariado, ou porque simpatiza com a luta da classe operária. Ser de direita é abraçar um posicionamento que reconhece a legitimidade da riqueza, e defende a propriedade privada dos grandes meios de produção e, portanto, do capital. Direita é quem considera, portanto, se não natural, pelo menos inevitável, ou até desejável, a desigualdade social. Bobbio, um liberal, redefiniu os conceitos tendo como critério, por exemplo, a importância da luta pela igualdade social. Este ou outros critérios são, por suposto, instigantes, todavia, controversos. O livro de Norberto Bobbio,Direita e esquerda, razões e significados de uma distinção política, pode ser encontrado em: www.libertarianismo.org/livros/nbdee.pdf Consulta 25/03/2015.


8) Dados disponíveis
Consulta em 22/03/2015.

9) O Movimento Brasil Livre defende o impeachment. Disponível em:http://www.movimentobrasillivre.org/ Consulta 22/03/2015.

10) SINGER, André. Entrevista à Folha de são Paulo, 22/03/2015. Dados disponíveis
Consulta em 22/03/2015.

11) O MNN (Negação da Negação), ou Território Livre, posicionou-se pelo apoio ao dia 15/03 em carta dirigida ao PSOL e ao PSTU: “os dias 13 e 15 não podem ser equiparados. Em vez de equipará-los e propor uma terceira via, mais proveitoso seria, nos parece, engrossar atos como o do dia 15 com setores organizados da classe trabalhadora”.




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sexta-feira, 27 de março de 2015

Rejeição mundial à agressão dos Estados Unidos contra a Venezuela


Por Salim Lamrani 


Em 9 de março de 2015, Barack Obama assinou uma ordem executiva e decretou “estado de emergência” nos Estados Unidos devido à “ameaça inusitada e extraordinária” que representaria a Venezuela para a segurança nacional de seu país. Esta decisão, hostil com outra nação soberana, é sumariamente grave e foi acompanhada de novas sanções contra vários funcionários do governo da república latino-americana (1).

Para justificar semelhante medida, a Casa Branca evoca “a intimidação dos opositores políticos” na Venezuela, exige o “respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais” e ainda pede “a libertação de todos os presos políticos, incluindo dezenas de estudantes, o líder da oposição Leopoldo López, assim como os prefeitos Daniel Ceballos e Antonio Ledezma”... Mas não evoca nenhuma ameaça concreta aos Estados Unidos (2).

Washington não alude a nenhuma ameaça precisa contra sua segurança nem a eventuais armas estratégicas de um país – que não possui tais armas – que se encontra a milhares de quilômetros da sua costa e que jamais em sua história esteve em guerra contra os Estados Unidos e nem sequer agrediu qualquer outra nação. O governo estadunidense tampouco menciona ameaças em potencial.

Ao contrário, o presidente venezuelano Nicolás Maduro, democraticamente eleito em 2013 em processo eleitoral reconhecido por sua transparência por todos os organismos internacionais, desde a Organização dos Estados Americanos até a União Europeia, sempre declarou sua vontade de estabelecer relações pacíficas e de igual para igual com o vizinho do norte.

Para justificar sua decisão, Obama apenas fez referência a feitos que concernem à situação interna da Venezuela e que são de competência única e exclusiva do povo bolivariano, dando elementos que podem provar sua ingerência – contrária ao direito internacional – nos assuntos internos de uma nação soberana. (3)

Esta nova medida marca um recrudescimento da hostilidade dos Estados Unidos à democracia venezuelana. Com efeito, desde a chegada de Hugo Chávez ao poder em 1999 e o advento da Revolução Bolivariana, Washington não deixou de desestabilizar a Venezuela. Em 11 de abril de 2002, a administração Bush orquestrou um golpe de Estado contra o presidente Chávez e rompeu a ordem institucional. A intervenção massiva do povo conseguiu pôr um ponto final à ditadura militar mais curta da história da América Latina (48 horas).

Em dezembro do mesmo ano, Washington apoiou a sabotagem petroleira que custou mais de 10 bilhões à economia venezuelana. Desde então, os Estados Unidos não deixaram de apoiar a oposição antidemocrática e golpista, que não hesitou em usar a violência, como demonstrou a onda mortífera que golpeou o país em fevereiro de 2014, para conseguir pela força aquilo que foi incapaz de obter nas urnas. Vale lembrar que desde 1998 a direita venezuelana perdeu 19 dos 20 processos eleitorais – reconhecidos como transparentes por todas as instâncias internacionais – que foram levados a cabo sob a Revolução Bolivariana.

Caracas denunciou imediatamente uma tentativa de golpe de Estado contra seu governo. O anúncio de Washington ocorreu umas semanas depois de que a Venezuela revelou a existência de uma conspiração planejada pela oposição para derrocar a ordem institucional, que levou para a cadeia o prefeito de Caracas Antonio Ledezma e vários membros das forças armadas, entre outros (4).

Nicolás Maduro declarou que Barack Obama havia “decidido passar pessoalmente a cumprir a tarefa de derrotar o (seu) governo, intervir na Venezuela e controlá-la através do poder estadunidense (5)”. Trata-se da “maior ameaça em andamento contra a nação,” acrescentou, lembrando que “ninguém pode acreditar que a Venezuela seja uma ameaça contra os Estados Unidos(6)”. O objetivo é evidente, segundo Maduro: com as primeiras reservas de hidrocarbonetos do mundo, a Venezuela é uma prioridade estratégica para os Estados Unidos, que querem controlar seus recursos.

As medidas que os Estados Unidos tomaram contra a Venezuela suscitaram a rejeição unânime da comunidade internacional, incluindo seus mais fiéis aliados. A União Europeia declarou que estava fora de questão alinhar-se à política de Washington e que “não estava considerando” impor “medidas restritivas” contra Caracas. “A UE não tem nada a decidir” sobre a Venezuela, enfatizou José Manuel Garcia Margallo, chanceler espanhol (7).




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