segunda-feira, 23 de maio de 2016

CONSTRUÇÃO CULTURAL 22/05/2016 no #OCUPACINAMOMO

CONSTRUÇÃO CULTURAL 22/05/2016 no #OCUPACINAMOMO

O Professor Jonathan é diretor do SEPE Rio das Ostras/Casimiro de Abreu esse brilhante texto sobre a ocupação cultural do Coletivo Construção no Ocupa Cinamomo, só a luta muda a vida!

É preciso não ter medo, diz uma frase que agora compõe a nova estética do Cinamomo. Antes, as paredes não reclamavam seus limites e os estudantes sentiam que não tinham voz! Agora eles não têm medo, como o poeta-guerrilheiro que subscreve a frase pichada, Marighella, aquele que indiferente à dor morreu murmurando o nome da Liberdade!
Era, desde há muito, necessário ter coragem, e era necessário gritar. O grito é este acúmulo de silêncios. Agora aquelas paredes gritam em tom poético e numa estética rebelde, segura, determinada a certeza de que não haverá silêncio!
Todas as revoluções são impossíveis até se tornarem inevitáveis. Quem entrou ontem no Cinamomo se deparou com a prática desta teoria que violentamente rompeu o silêncio da parede frente ao portão. Algum tipo de revolução inevitável se desenvolve célula por célula, escola ocupada por escola ocupada. O Cinamomo, única das cinco escolas de Rio das Ostras ocupada, é um espaço vivo de construção de uma nova sociedade, um experimento de sociabilidade e convivência coletiva, de decisões plurais e de gestão democrática.
O que esta geração está escrevendo, ao citar gerações que os precederam, é que a luta é um contínuo, e que, por isto mesmo, reivindicar as experiências e os aprendizados históricos de lutas é revolucionário.
Nossa teoria é um chamado pra ação, diz a letra do rap de Bernardo Salgado. Como uma pichação no cérebro de quem reflete, pensa, questiona, critica, o nosso letrista convida a sociedade a se posicionar não só no discurso, mas na prática. E isto foi o CONSTRUÇÃO CULTURAL: A prática do discurso.
As apresentações que lá ocorreram envolveram as principais figuras do cenário artistico-cultural-alternativo (salvas exceções que não puderam estar presentes) da cidade de Rio das Ostras. Numa conjuntura em que o oportunista Michel Temer acaba com o Ministério da Cultura e os artistas e profissionais da área se sentem compelidos a se posicionar, o #OcupaCinamomo se configura como o espaço de de expressão de inconformidades por excelência! O território mais crítico que aglutinou o movimento de resistência negra e feminina com o Mulheres Mais Ativas (MMA), a violenta e necessária arte de rua (se ela me permite dizer assim), de Gabriela Marquez, o olhar preciso e sempre terno de Sagui Gepeto, a ácida crítica de Tailor Vinhoza ao status quo, a experiência em produções de eventos do Coletivo Mucambo, as vozes que (en)cantam a cidade de Renata Cabral (com seu parceiro Jefferson Eduardo Ferreira), Arnaldho de Sá, Marcos Matarazzo, Misha, Urbanamente. O Clube do Vinil marcou a sua presença ckmo já tem feito abrilhantando o evento. Várias oficinas aconteceram com exposição de desenhos, pinturas, poesias (e eu tive a oportunidade de apresentar meus escritos junto a estas grandes estrelas que compuseram esta Constelação Cinamomo).
O encantador de pessoas, André De Oliveira Miguel foi mais que um Mestre de cerimônia, o exemplo do Griôt que não permitia o desânimo ou o cansaço, dançando, apresentando as atrações, ou contando histórias (na presença da dupla AnJos-Contadores de Histórias - da qual eu também faço parte).
Tivemos a presença de diversos lutadores. O Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, junto aos profissionais que representa, esteve lá demonstrando que esta luta pela educação pública, laica, de qualidade, socialmente referenciada, com gestão democrática é uma luta de todos. Profissionais da UFF também estiveram lá, apoiando o movimento assim como muitos estudantes universitários. Muitos pais, com seus filhos, com crianças, refutaram a tese difundida por uma certa diretora de que ali poderia haver algum risco à sua integridade física. O risco que qualquer pessoa sofre hoje ao entrar no Cinamomo é o risco de pensar que as coisas podem ser diferentes.
Mas na confluência de todas estas vozes num grito uníssono que se poderia traduzir na expressão #OcupaTudo, uma voz se sobressaía: a voz dos estudantes secundaristas. Esta voz que ecoa em mais de 80 escolas ocupadas no estado do Rio de Janeiro, em mais de 150 no Rio Grande do Sul e, salvo engano, em mais de 30 no Ceará, além das de São Paulo, (e que ecoou também no Espírito Santo e em Goiás no final do ano passado) sabe que tem algo a dizer e quer dizer este algo e está dizendo (não posso deixar de citar também as diversas ocupações dos prédios do MinC, a ocupação da ALESP, as ocupações da SEEDUC-RJ).
Como na história em que as crianças levantam o céu esta geração poderá fazer coisas inacreditáveis. Para isto, precisam prosseguir firmes nesta luta, precisam estar ombro a ombro com outros lutadores, precisam demonstrar a coragem que já lhes salta pelos olhos inevitavelmente.
Agora, em que o muro vai se tornando mais fino e já não é possivel se equilibrar todos têm de se decidir para que lado querem ir: o lado dos governos que sucateiam os serviços públicos e prejudicam as nossas vidas para continuar privilegiando aquela ínfima minoria rica, ou o lado de lutadores e lutadoras que decidiram gritar, seja com a garganta ou nas paredes, que nao darão um minuto sequer de trégua aos nossos algozes.
Finalizo com agradecimento ao Coletivo Construção, idealizador deste belíssimo evento, em especial às produtoras culturais do coletivo: Taiany Oliver e Ana Carolina Ferreira! Foi um dia inesquecível.
#OcupaCinamomo
#OcupaTudo
#ColetivoConstrução

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Carta dos educadores da Escola Municipal Rosângela de Rio das Ostras

Hoje, dia 19/05/2016, diante da difícil realidade que a Escola Municipal Rosângela vivencia desde o final de 2015, os professores tomaram a iniciativa de mobilização ocupacional, no intuito do reestabelecimento das condições adequadas de trabalho, bem como, em prol da melhoria na qualidade de ensino. Contando com o apoio do SEPE Rio das Ostras/Casimiro de Abreu, os professores trabalharam no sentido de conscientizar a comunidade discente sobre a importância das reinvindicações levantadas. Após a solicitação da presença da subsecretária da Educação, que compareceu à unidade, os professores apresentaram as demandas mais urgentes da escola, dentre elas, a questão da limpeza, que precisa ser tratada de forma emergencial, visto a comunidade escolar se encontrar em condições insalubres. Este não foi o primeiro contato com a Secretaria, pois em março de 2016, após a reivindicação dos professores, servidores representantes da mesma, foram até a unidade escolar e, tomando conhecimento das necessidades mais urgentes e, se prontificando a encontrar alguma solução duradoura para as problemáticas levantadas, fato que não ocorreu até este momento. Os professores, enfim, solicitam a intervenção do SEPE, através de uma assembleia geral da rede municipal, no sentido de mobilizar outras unidades escolares que enfrentam dificuldades semelhantes, para que os atendimentos prestados a toda comunidade escolar retorne a padrões mínimos de qualidade em toda rede regular de ensino do município.

quarta-feira, 18 de maio de 2016


Assembleia do SEPE 17/05 vota a continuidade da GREVE

Luciano Barboza Coordenador Geral SEPE Rio das Ostras/Casimiro

Assembleia do SEPE votou pela continuidade da greve, houve muitas vitórias pedagógicas nas negociações com o governo de Estado após 2 meses de greve, são elas: eleições diretas para diretores, garantia de licença premio, mínimo de 2 aulas para sociologia e filosofia, abono das faltas da greve 1993 a 2016, redução para 30h para funcionários administrativos; mas ainda falta o aumento salarial para os profissionais da educação. Até o momento o governo ofereceu 0%, descumprindo a reposição salarial inflacionária. Os educadores exigem também a aceitação da pauta específica das ocupações de escolas estaduais feita por estudantes secundaristas.  
Assista o vídeo de saudação dos estudantes de Rio das Ostras do Ocupa Cinamomo na assembleia:
https://www.facebook.com/1679268309004139/videos/1689076708023299/


A Assembleia votou ainda o Fora Wagner Victer novo secretário da educação como eixo de mobilização, isso ocorreu pelos ataques que o mesmo fez a FAETEC sucateando o ensino publico. A nomeação de Victer como secretário de educação é uma provocação aos alunos e educadores em greve.


O SEPE decidiu na assembleia participar de ato da FAETEC em frente ao Palácio Guanabara. 

O SEPE decidiu também fazer um ato da educação no domingo dia 22-05 às 10h na Candelária com coluna própria de educadores do sindicato. A próxima assembleia geral do SEPE será 24/05 de manhã no centro seguida de ato no centro, só a luta muda a vida, a greve continua Dornelles/Pezão a culpa é sua! Fora Wagner Victer novo secretário de educação que privatizou a CEDAE e sucateou a FAETEC!

sábado, 14 de maio de 2016

Assembleia do SEPE 13/05/2016 vota pela continuidade da greve


Assembleia do SEPE votou pela continuidade da greve e resolveu cancelar o ato show na Lapa, para deslocar os grevistas e estudantes de outras ocupações para o Ocupa Mendes. Isto ocorreu porque o movimento desocupa ameaçou com violência os estudantes da ocupação Escola Estadual Mendes Moraes (na Ilha do Governador, primeira escola ocupada do RJ e símbolo desta luta). A assembleia decidiu que os educadores deveriam levar sua solidariedade e luta indo para esta escola, para evitar confrontos com o movimento desocupa. A próxima assembleia de greve foi marcada para terça-feira dia 17/05/2016 às 10h na quadra da São Clemente. OCUPAR E RESISTIR, LUTAR PRA GARANTIR!!!

Assista mais no vídeo: https://www.facebook.com/LeLutaEducadora/videos/994416840636928/

domingo, 8 de maio de 2016

Ocupações estudantis no RJ: Isso aqui já virou o Chile!



A juventude chilena se mobilizou de forma histórica em 2006 com a “Revolução dos Pinguins” e, depois, com outras duas jornadas em 2011 e 2015, numa corajosa luta pelo direito à educação pública e gratuita e contra o neoliberalismo. Essas lutas resgataram importante método histórico da classe trabalhadora: as ocupações. Mas, agora, nas escolas!
Inspirada pelos hermanos pinguins, a juventude paulista, no final de 2015, lutou arduamente contra o governo de Alckmin, que pretendia fechar centenas de escolas. Esta importante resistência, com mais de 200 ocupações de escolas, se sagrou vitoriosa e fez o governo recuar, dando uma importante lição para esta nova geração de lutadores: só a luta garante direitos e, mais que isso, só a luta muda a vida.
Um processo similar de ocupações também se estendeu ao estado de Goiás, contra um modelo de gestão privatizada e militarizada do ensino; e ao Espírito Santo, contra a “reorganização” do ensino com fechamento de turmas no campo.
Este ano, a greve dos profissionais de educação no estado do Rio de Janeiro, deflagrada em dois de março, iniciou um grande processo de mobilização que levou à construção de uma Greve Geral do funcionalismo público do estado do Rio de Janeiro unindo mais de 30 categorias em luta. Ao mesmo tempo, levou a uma importante mobilização estudantil secundarista, espelho do movimento que ocorreu em São Paulo, Goiás, Espírito Santo e Chile.
Mais de 70 ocupações

Durante a construção deste texto, mais de 70 escolas já estavam ocupadas. Entretanto, as tarefas não são simples! A primeira delas é aumentar as ocupações e resistir aos ataques do governo, que vem utilizando de métodos esdrúxulos para tentar desmobilizar estudantes. Desde pedidos de reintegração de posse, como os perpetrados contra a Ocupação Mendes de Moraes, primeira escola ocupada, até coerção e difamações.
As direções de escolas também têm cumprido um papel de desarticular as ocupações. Mentiras e difamações são veiculadas para desmobilizar, além de ameaças, assédio moral, etc. Movimentos contrários às ocupações têm sido organizados pelas direções junto a alguns professores pelegos e por membros da Secretaria de Educação e do governo. Este movimento por parte das direções das escolas reafirma a necessidade de construir uma escola democrática em que a direção seja eleita e, desta forma, represente os interesses da comunidade escolar, não dos governos.
Unificar as ocupações, construindo um projeto claro da juventude, contra as medidas neoliberais do governo Pezão/Dornelles, é uma tarefa fundamental. Este espaço amplo de discussão deve levar a uma pauta geral das escolas ocupadas. Mas é ainda necessária uma construção mais ampla desse processo. A primavera secundarista está ocorrendo, de distintas formas, em todo o país, com radicais respostas da juventude ante a tentativa dos governos de aprofundar as medidas neoliberais.
É necessário aprofundar a construção das lutas e ‪#‎OcuparTudo‬! Isto é, construir espaços de discussões nos quais se construa este projeto comum, considerando as pautas específicas das ocupações, mas aprimorando a pauta de reivindicações gerais das escolas ocupadas.
A escola ocupada significa um espaço físico acolhedor e cheio de companheirismo entre os alunos. Lá eles aprendem a lidar com os conflitos e contradições. Há aulas com temas escolhidos por eles, oficinas de instrumentos musicais, competição de jogos eletrônicos, esportivos e de tabuleiros, batalha de rap, roda de samba, debates sobre a importância da história do movimento estudantil no Brasil. Ou seja, nestes espaços de ocupação está se construindo uma nova sociabilidade humana de respeito e cooperação, onde os alunos praticam a democracia direta através das assembleias diárias, onde sua voz é respeitada, constroem coletivamente as próprias regras de convivência, a partir das necessidades que percebem, e por isso as comissões de segurança, limpeza e alimentos precisam funcionar para manutenção da ocupação.
Escola para a vida de luta
Muitos estão cozinhando e limpando a escola, o que muitas vezes não é feito no seu dia-a-dia nem mesmo nas suas casas. Esta mudança de postura é porque entendem-se protagonistas desta história de ocupações. Assim sendo, sua ação direta de ocupação, eficaz, tem fortalecido a construção das maiores mobilizações em curso no país: a greve geral dos profissionais de educação ganha o ímpeto da juventude e aponta a vitórias concretas ante aos ataques neoliberais dos governos!

Greve histórica de educadores no RJ


 


A greve dos profissionais da educação da rede estadual do Rio de Janeiro, que se iniciou no dia 2 de março, já se tornou um movimento histórico. A adesão de funcionários e professores é a maior dos últimos dez anos, com cerca de 70% da categoria paralisada.

Os motivos da greve são as péssimas condições de trabalho, a mudança de data do pagamento (do segundo para o décimo-quarto dia útil), o parcelamento do décimo-terceiro salário, a mudança na contribuição da previdência de 11% para 14%, a necessidade de eleições diretas para diretor de escolas, a negativa de reajuste salarial em 2015 e 2016, a reserva de um terço da carga horária para planejamento das aulas, além de outras reivindicações da categoria.

#OcupaTudo!

Ao mesmo tempo, mais de 70 escolas estaduais (o número cresce a cada dia) foram ocupadas por alunos que apoiam a greve, mas que também possuem suas próprias pautas de reivindicações, como melhorias na infraestrutura das escolas, fim do SAERJ e eleições diretas para direção escolar.

A ação direta é um método importante que nós do coletivo Luta Educadora praticamos e, por isso, defendemos as ocupações de escolas pelos estudantes secundaristas.

O SEPE (Sindicato dos Profissionais de Educação do RJ) também possui um longo histórico de ocupações de espaços governamentais, visando respostas imediatas do governo às reivindicações da categoria. Acreditamos que a atual greve deve massificar tal prática e radicalizar o movimento!

Em março, após duas semanas de greve, os educadores barraram a aprovação da reforma da previdência, graças à ocupação das escadarias da ALERJ (a Assembleia Legislativa) no dia da votação.

O governador interino Francisco Dornelles, que ocupava o cargo há apenas três dias (devido à enfermidade do governador Pezão), não aprovou a medida, mesmo possuindo ampla maioria de deputados na ALERJ, devido à pressão dos educadores do lado de fora da Assembleia.

PLP 257 um ataque brutal

A lógica de Dornelles foi ganhar tempo para transferir a responsabilidade do ataque aos direitos de previdência para a presidenta Dilma. Isso porque a presidenta havia lançado dois dias antes o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257/2016, que exige que os Estados em dívida com a União aprovem um pacote de ataques aos direitos trabalhistas, para renegociar seus débitos com o governo federal.

No dia 6 de abril, os servidores estaduais de 33 sindicatos, que formam o Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (MUSPE), declararam o início da greve geral dos servidores e realizaram um ato unificado com 20 mil pessoas em frente ao Palácio Guanabara, residência oficial do governador.

Ocupação contra o não pagamento aos aposentados

Os ataques de Pezão/Dornelles não possuem limites e, por isso, eles decidiram não pagar os salários dos aposentados e pensionistas. Esta é uma medida criminosa que coloca em risco de vida mais de 100 mil aposentados e pensionistas de diversas categorias.

Os educadores e os servidores reunidos na Plenária dos Servidores Estaduais não aceitaram essa medida e, após assembleia da Educação com milhares de pessoas, marcharam pelas ruas do Rio e ocuparam o prédio da Secretaria de Fazenda por mais de 12 horas no dia 14 de abril, exigindo o pagamento dos aposentados. Ardilosamente, o governo expulsou à força os servidores do local com mais de 150 policiais do batalhão de choque da PM às 3h da manhã. Mesmo assim, a ação se fez vitoriosa e colocou o governo em cheque, expondo para a sociedade a situação dos aposentados, que ainda permanecem sem receber seus salários.

Deste modo, o tom desta greve deve ser o das ocupações e da radicalização do movimento, seguindo o exemplo da ocupação da Secretaria de Fazenda e de centenas de estudantes que estão surpreendendo o governo do Estado com a Primavera Secundarista. Devemos dar esta “cara” à nossa greve e continuar colocando o governador em cheque! #OcupaTudo! Só a luta muda a vida! Fora Pezão/Dornelles!