quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Eleição de representantes do Sepe nas Escolas




O Sepe disponibiliza no site cartaz, ata e panfleto para a realização de eleições de representantes de escolas. As eleições deverão ser realizadas até o dia 30 de setembro.

Os representantes são uma garantia da presença do Sepe em cada local de trabalho dos profissionais
de educação.

Em outubro será realizado encontro dos representantes eleitos das diversas redes.

Links com os arquivos:







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Conversando com versos (74): "Pergunta", de Cecília Meireles (1901-1964)




"Pergunta"


Estes meus tristes pensamentos
vieram de estrelas desfolhadas
pela boca brusca dos ventos?

Nasceram das encruzinhadas
onde os espíritos defuntos
põem no presente horas passadas?

Originaram-se de assuntos
pelo raciocínio dispersos,
e depois na saudade juntos?

Subiram de mundos submersos
em mares, túmulos ou almas,
em música, em mármore, em versos?

Cairam das noites calmas,
dos caminhos dos luares lisos,
em que o sono abre mansas palmas?

Provêm de fatos indecisos, 
acontecidos entre brumas,
na era de extintos paraísos?

Ou de algum cenário de espumas,
onde as almas deslizam frias,
sem aspirações mais nenhumas?

Ou de ardentes e inúteis dias,
com figuras alucinadas
por desejos e covardias? ...

Foram as estátuas paradas
em roda da água do jardim...?
Foram as luzes apagadas?

Ou serão feitos só de mim,
estes meus tristes pensamentos
que bóiam como peixes lentos

Num rio de tédio sem fim?




Fonte: Meireles, Cecília.Obra Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar,1983, 3ª ed., pp.136/137



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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O desenvolvimento na disputa eleitoral

Por Wladimir Pomar

Oficialmente iniciada a campanha eleitoral, os candidatos oposicionistas concentram seus ataques nas dificuldades econômicas do governo Dilma. No entanto, não dizem, e certamente não poderão dizer, o que realmente farão para superar tais dificuldades. Por isso, mascaram seus objetivos com generalidades como “nova política”, “nova gestão”, “nova economia”, “sustentabilidade”, “melhoria das políticas sociais” etc.

Na prática, pretendem escapar da discussão que está no centro da disputa política da atualidade. Isto é, qual o tipo de desenvolvimento, mesmo capitalista, que o Brasil deve seguir nos próximos anos? Ou, ainda mais problematicamente, o Brasil deve desenvolver-se ou retornar ao caminho neoliberal regressivo?

Os governos Lula e Dilma seguiram um caminho de desenvolvimento capitalista que combinou uma macroeconomia mista, em parte neoliberal, em parte democrática-liberal, de crescimento econômico através do estímulo ao consumo, e de crescimento social através do aumento do emprego, dos salários e de transferências de renda, com ênfase na educação. Com isso, calcula-se que fez cerca de 50 milhões de brasileiros ingressarem nos mercados de trabalho e de consumo.

Os limites para a continuidade dessa política encontravam-se, porém, tanto na estrutura produtiva que restara da devastação neoliberal, quanto da macroeconomia neoliberal. Em resumo, a capacidade de produção de alimentos para o mercado doméstico, tendo por base a pequena economia agrícola familiar, não tinha condições de atender ao rápido crescimento do poder de compra de milhões de brasileiros que até então se encontravam à margem do mercado. A indústria de bens de consumo não-duráveis, ou correntes, também não estava em condições de acompanhar esse crescimento da demanda.

Por um lado, esse descompasso entre o crescimento mais rápido da demanda e mais lento da oferta criou surtos inflacionários sazonais, fazendo com que os guardiães da macroeconomia neoliberal tivessem chiliques e exigissem freios às políticas de crescimento. Por outro, os altos juros e as taxas de câmbio da macroeconomia permitiam maiores lucros aos capitais aplicados em papéis do que àqueles aplicados na produção. O que manteve a indústria no processo declinante em que ingressou desde os anos 1970.

Por isso, tais limites tendiam a ocorrer mesmo que a infraestrutura do país (portos, ferrovias, rodovias, multimodais, aeroportos etc.) não estivesse sucateada, defasada, ultrapassada e destruída por quase 30 anos de abandono pelos governos militares, Sarney, Collor, Itamar e FHC. Ou mesmo que a situação internacional continuasse favorável às exportações decommodities agrícolas e minerais. Nos últimos anos do segundo mandato Lula já era evidente ser indispensável combinar o aumento do consumo com fortes políticas de investimento, tanto na infraestrutura quanto na produção.

A crise dos países capitalistas desenvolvidos, iniciada em 2007-2008 e expandida a partir de 2011, não só colocou em evidência a necessidade de realizar tais mudanças, como erigiu novos obstáculos a sua realização. Em outras palavras, para elevar fortemente os investimentos em infraestrutura e na produção, tanto industrial quanto agrícola de alimentos, era indispensável realizar mudanças macroeconômicas estruturais. Isto é, reduzir fortemente as taxas de juros, desvalorizar a moeda, controlar a inflação através do aumento da oferta e não da redução da demanda, aumentar a concorrência em todos os campos da economia, limitando o poder de monopólio, e aumentar as taxas de investimento do Estado nos setores estratégicos.

Essas mudanças podem, no máximo, ser consideradas com algum verniz socialdemocrata, por objetivarem elevar as taxas de emprego e os salários. Mas sua natureza é eminentemente capitalista, de desenvolvimento pleno combinado com alguma redistribuição de renda e mitigação das desigualdades. No entanto, às primeiras tentativas de introduzi-las, com a redução da taxa Selic, o grande setor privado se levantou contra, em bloco. Sentiu-se agredido pela possível redução de suas taxas de lucros, grande parte proveniente de aplicações financeiras.

Embora existam outros fatores interferindo nas dificuldades de desenvolvimento do Brasil nos últimos anos do governo Dilma, as questões chaves são as expostas acima. Foram elas que transformaram a “maior bancada governista” do parlamento nacional numa ficção que derrotou as principais propostas governamentais. Foram elas que fizeram os tribunais de contas funcionarem como freios à execução das obras de infraestrutura. São elas que continuam mantendo as taxas de investimentos em níveis abaixo do necessário para sustentar índices mais altos de crescimento. E são elas que alimentam o pretenso “pessimismo” dos investidores privados, de modo a criar um clima de paralização pré-eleitoral.

Em outras palavras, por incrível que possa parecer, a parte mais forte da burguesia, reunida nos oligopólios financeiros, agrários e industriais, pretende manter a macroeconomia neoliberal que levou o país ao fosso. E o Partido da Mídia, que depende dela para continuar enriquecendo, articula uma campanha em que o “novo” dos candidatos da oposição deve ficar limitado à negação do que foi realizado nos governos Lula e Dilma. Isto, embora às vezes tenham que curvar-se à realidade e afirmar que manterão as políticas sociais, apenas introduzindo ajustes para melhorá-las.

Na prática, sabemos que o “novo” e a “sustentabilidade” serão a velha política de frear o crescimento econômico, aumentar o desemprego, reduzir a demanda, controlar os salários, elevar os juros, liberar o câmbio e, com isso, conseguir taxas “civilizadas” de inflação. Convenhamos: para baixar a inflação através dessas políticas destrutivas não é preciso ser economista. Qualquer criança medianamente inteligente faz. Difícil é manter taxas de inflação baixas ao mesmo tempo em que se aumenta o crescimento, o emprego, e os salários.

Em outras palavras, a oposição à direita não tem proposta alternativa às propostas do governo, mesmo que estas ainda sejam tímidas e ainda não tenham se estruturado como um projeto nacional de desenvolvimento.

Essa direita retirou o Estado da economia. Antes da devastação neoliberal o Estado era responsável por cerca de 50% da formação bruta de capital fixo, mas atualmente não responde sequer por 20%. Mas isto ainda é demais para ela. Quer 0%.

O investimento público é quase nulo porque o governo não pode mais contar com uma parcela do orçamento público. Em seu lugar entrou o pagamento dos juros da dívida, que representam cerca de 40% da receita líquida, ou 5% do PIB. Nessas condições, a taxa de investimento do Estado não sobe. E a taxa de investimento privado também fica amarrada porque o retorno da aplicação financeira é mais elevado do que o investimento produtivo. Como nenhuma economia cresce sem que a taxa de investimento suba, mudar isso é vital para o futuro do país.

Dizendo de outro modo, ainda continuamos supondo que a “teoria do quanto pior melhor” não serve para o aprendizado das classes populares. Portanto, o retrocesso ao neoliberalismo escrachado, pretendido pela oposição de direita, trará não só prejuízos ao conjunto da população brasileira, mas também à luta de classes que começou a reemergir em junho de 2013.

Diante disso, na ausência de um projeto socialista que unifique sequer as forças de esquerda, o que nos sobra é um desenvolvimento capitalista com redistribuição de renda e com o aumento do papel do Estado na expansão industrial. Ele pelo menos tem a vantagem de aumentar a força social da classe dos trabalhadores assalariados, e criar melhores condições para a mobilização social. A escolha é difícil, mas o critério que nos sobra é saber exatamente de que lado está o inimigo principal.




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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Em nós estão todas as memórias do universo


Por Leonardo Boff

O ser humano é o último ser de grande porte a entrar no processo da evolução por nós conhecido. Como não existe somente matéria e energia, mas também informação, esta vem estocada em forma de memória, em todos os seres e em nós ao longo de todas as fases do processo cosmogênico. Em nossa memória, reboam as últimas reminiscências do big bang que deu origem ao nosso cosmos.
Nos arquivos de nossa memória são guardadas as vibrações energéticas oriundas das inimagináveis explosões das grandes estrelas vermelhas das quais vieram as supernovas e os conglomerados de galáxias, cada qual com suas bilhões de estrelas e planetas e asteroides. Nela se encontram ainda ressonâncias do calor gerado pela destruição de galáxias umas devorando outras, do fogo originário das estrelas e dos planetas ao seu redor, da incandescência da Terra, do fragor dos líquidos que caíram por 100 milhões de anos por sobre o nosso planeta até resfriá-lo (era hadeana), da exuberância das florestas ancestrais, reminiscências da voracidade dos dinossauros que reinaram, soberanos, por 135 milhões de anos, da agressividade dos nossos ancestrais no afã de sobreviver, do entusiasmo pelo fogo que ilumina e cozinha, da alegria pelo primeiro símbolo criado e pela primeira palavra pronunciada, reminiscências da suavidade das brisas leves, das manhãs diáfanas, do alcantilado das montanhas cobertas de neve, por fim, lembranças da interdependências entre todos os seres, criando a comunidade dos viventes, do encontro com o outro, capaz de ternura, entrega e amor e finalmente, do êxtase da descoberta do mistério do mundo que todos chamam por mil nomes e nós por Deus.
Tudo isso está sepultado em algum canto de nossa psiqué e no código genético de cada célula de nosso corpo, porque somos tão ancestrais quanto o universo.
Nós não vivemos neste universo nem sobre a nossa Terra como seres erráticos. Nós viemos do útero comum donde vieram todas as coisas, da Energia de Fundo ou do Abismo Alimentador de todos os seres, do hádrion primordial, do top-quark up, um dos tijolinhos mais ancestrais do edifício cósmico até o computador atual. E somos filhos e filhas da Terra. Mais. Somos aquela parte da Terra que anda e dança, que freme de emoção e pensa, que quer e ama, que se extasia e venera o Mistério. Todas estas coisas estiveram virtualmente no universo, se condensaram em nosso sistema solar e só depois irromperam concretas na nossa Terra. Porque tudo isso estava virtualmente lá, pode estar agora aqui em nossas vidas.
O princípio cosmogênico, vale dizer, aquelas energias diretoras que comandam, cheias de propósito, todo o processo evolucionário obedecem a seguinte lógica tão bem e exposta por E. Morin, ordem, desordem, interação, nova ordem, nova desordem, novamente interação e assim sempre. Com essa lógica criam-se sempre mais complexidades e diferenciações; e na mesma proporção vão se criando interioridade e subjetividade até a sua expressão lúcida e consciente que é a mente humana. E simultaneamente e também na mesma proporção vai se gestando a capacidade de reciprocidade de todos com todos, em todos os momentos e em todas as situações. Diferenciação /interioridade/ comunhão: eis a trindade cósmica que preside o organismo do universo.
Tudo vai acontecendo processualmente e evolutivamente submetido ao não-equilíbrio dinâmico(caos) que busca sempre um novo equilíbrio, através de adaptações e interdependências.
A existência humana não está fora desta dinâmica. Tem dentro de si estas constantes cósmicas de caos e de cosmos, de não-equilíbro em busca de um novo equilíbrio. Enquanto estivermos vivos nos encontramos sempre enredados nesta condição. Quanto mais próximos do equilíbrio total, mais próximos da morte. A morte é a fixação do equilíbrio e do processo cosmogênico. Ou a sua passagem para um nível que demanda outra forma de acesso e de conhecimento.
Como esta estrutura concretamente se dá em nós? Antes de mais nada, pelo cotidiano. Cada qual vive o seu cotidiano que começa com a toillete pessoal, o jeito como mora, o que come, o trabalho, as relações familiares, os amigos, o amor. O cotidiano é prosaico e, não raro, carregado de desencanto. A maioria da humanidade vive restrita ao cotidiano com o anonimato que ele envolve. É o lado da ordem universal que emerge na vida das pessoas.
Mas os seres humanos são também habitados pela imaginação. Ela rompe as barreiras do cotidiano e busca o novo. A imaginação é, por essência, fecunda; é o reino do poético, das probabilidades de si infinitas (de natureza quântica). Imaginamos nova vida, nova casa, novo trabalho, novos prazeres, novos relacionamentos, novo amor. A imaginação produz a crise existencial e o caos na ordem cotidiana.
É da sabedoria de cada um articular o cotidiano com o imaginário, o prosaico com o poético e retrabalhar a desordem e a ordem. Se alguém se entrega só ao imaginário, pode estar fazendo uma viagem, voa pelas nuvens esquecido da Terra e pode acabar numa clínica psiquiátrica. Pode também negar a força sedutora do imaginário, sacralizar o cotidiano e sepultar-se, vivo, dentro dele. Então se mostra pesado, desinteressante e frustrado. Rompe com a lógica do movimento universal.
Quando alguém, entretanto, assume seu cotidiano e o vivifica com injeções de criação então começa a irradiar uma rara energia interior percebida pelos que com ele convivem.


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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Núcleo acompanha professores em audiência na Coordenadoria Norte-Fluminense em 22 de agosto


No dia 22 de agosto,sexta-feira, seguindo o calendário de atividades do Sepe/Rj, a direção do Núcleo acompanhou professores em audiência na Coordenadoria Regional do Norte-Fluminense, em Campos.

A comitiva foi recebida pela coordenadora, Profº Cristina Pontes, e assessores para tentar resolver pendências oriundas da greve da rede estadual, que teve conclusão no último dia 27 de junho.

Os professores presentes levaram suas reivindicações de permanecerem no colégio de origem, no mesmo horário e nas turmas com que trabalhavam, uma vez que, na interpretação do sindicato e da categoria, esses profissionais vêm sofrendo retaliações.



A representante do governo disse estar apenas cumprindo ordens hierárquicas superiores e que não expressaria qualquer juízo de valor sobre a situação apresentada.

O sindicato tem reiterado suas cobranças junto ao governo estadual para agilizar solução para esses casos, onde ocorreram perda de origem e, até abertura de processo por suposto abandono de cargo.

Para completar esse quadro, diversos profissionais grevistas continuaram tendo descontos nos seus salários, além de não terem recebido a primeira parcela do décimo terceiro salário.

Essa insensibilidade, associada à incapacidade para o diálogo e a negociação, tem conduzido a um crescente sentimento de insatisfação junto aos servidores estaduais - o que vem colaborando para o declínio na aprovação desse governo em ano eleitoral.

A greve terminou, mas a luta pela educação e pelos educadores continua.



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Sepe/RJ convoca para Encontros de Lideranças de Aposentados em 26 de agosto



Nesta terça-feira (dia 26 de agosto) a Secretaria de Aposentados do Sepe promoverá um encontro de lideranças de aposentados, a partir das 10h.

O encontro será realizado no auditório do sindicato (Rua Evaristo da Veiga 55 - 7º andar).








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Vargas morreu lá em casa

Por Frei Betto

Hoje [24 de agosto] faz 60 anos que Getúlio Vargas morreu em Belo Horizonte, na minha casa, na esquina das ruas Major Lopes e Padre Odorico. Antes que me julguem louco, explico.

Meu, pai, Antônio Carlos Vieira Christo, assinara o Manifesto dos Mineiros, que apressou o fim da ditadura Vargas, em 1945. Ligado a UDN, papai dizia horrores de Getúlio.

As empregadas de casa gostavam dele e todos os anos, a 21 de abril, eu, criança, me misturava à multidão na BR-03 (hoje, BR-040), em frente à igreja do Carmo, para ver o ditador passar a poucos metros de nossa casa, a caminho de Ouro Preto, a fim de prestar sua paradoxal homenagem a Tiradentes.

Eu me postava à beira da estrada com o coração batendo como o de um escravo que desafiasse olhar nos olhos de seu senhor. Aquele era um momento de indizível solenidade. Precedido pelos batedores em suas possantes motocicletas de sirenes abertas, o carro do ditador vinha de capota arriada, cercado por seus famigerados capangas, que me pareciam os únicos personagens reais das histórias em quadrinhos que entretinham a minha infância.

Em agosto de 1954, a conjuntura política ferveu no Brasil. A Aeronáutica estava prestes a invadir o Palácio do Catete e destituir o presidente constitucionalmente eleito, respaldada pelos discursos inflamados de seu principal opositor, Carlos Lacerda.

Meu pai acompanhava tudo pelo rádio, com os ouvidos pregados nas fanfarras do Repórter Esso e, no fim da tarde, devorava com os olhos a Tribuna da Imprensa e O Globo, jornais de oposição que só chegavam a Belo Horizonte, vindos do Rio, na boca da noite.

Na noite de 23 de agosto de 1954, o rádio Philco de nossa casa esquentou. Era iminente a queda de Vargas. Meu pai, eufórico, grudou-se ao telefone e convocou parentes e amigos para transformar a festa de meu 10º aniversário, dois dias depois, em comemoração pelo fim político daquele que o levara à prisão no Estado Novo e o obrigara a regressar do Rio para Minas, ceifando sua promissora carreira de advogado em terras fluminenses.

Fiquei feliz. Eu não teria um simples aniversário. Teria uma festa de proporções nacionais...

Eis que na manhã de 24 de agosto estoura a notícia de que Vargas, ao alvorecer, dera um tiro no coração, preferindo "sair da vida para entrar na história”, como escreveu em sua carta de despedida.

Minha sensação foi de que o cadáver de Getúlio caíra na sala de minha casa. Meu pai, estupefato, ficou mudo, como se tivesse ajudado a puxar o gatilho. E cancelou a festa.

Foi, então, que presenciei algo que só mais tarde haveria de entender. Vargas conseguira tornar sua figura respeitada e amada pelo povo. Nos olhos lacrimejantes das empregadas domésticas e dos operários, vi espelhada a imagem da habilidade política daquele homem pequeno na estatura, mas grande na ambição. O poder era, para ele, não tanto um meio de impor sua vontade, mas o altar onde se sentia venerado pelo povo.

Contudo, nem Getúlio foi fiel ao povo, nem o povo foi fiel a Getúlio. O sentimento de amante traído o levou ao suicídio.

Foi meu mais triste aniversário. Não consegui remover Vargas da sala lá de casa.




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