terça-feira, 3 de março de 2015

Sepe/RJ convoca para assembleia da Rede Estadual dia 7 de março






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Conversando com versos (114): "Algum dia você poderia?", de Vladimir Maiakóvski (1893-1930)




"Algum dia você poderia?"


Manchei o mapa quotidiano
jogando-lhe a tinta de um frasco
e mostrei oblíquas num prato
as maçãs do rosto do oceano.

Nas escamas de um peixe de estanho,
li lábios novos chamando.

E você? Poderia
algum dia
por seu turno tocar um noturno
louco na flauta dos esgotos?


Tradução de Haroldo de Campos




Fonte: Internet:  poemargens.blogspot.com.br/2012


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O que precisa ser incorporado ao processo de educação



Por Leonardo Boff

Geralmente o processo educativo da sociedade com suas instituições como a rede de escolas e de universidades estão sempre atrasadas em relação às mudanças que acontecem. Não antecipam eventuais processos e custam-lhes fazer as mudanças necessárias para estar à altura deles.

Entre outras, duas são as grandes mudanças que estão ocorrendo na Terra: a introdução da comunicação global via internet e redes sociais e a grande crise ecológica que põe em risco o sistema-vida e o sistema-Terra. Podemos eventualmente desaparecer da face da Terra. Para impedir esse apocalipse a educação deve ser outra, diversa daquela que dominou até agora.

Não basta o conhecimento. Precisamos de consciência: uma nova mente e um novo coração. Precisamos também de uma nova prática. Urge nos reiventar como humanos, no sentido de inaugurar uma nova forma de habitar o planeta com outro tipo de civilização. Como dizia muito bem Hannah Arendt:”podemos nos informar a vida ainteira sem nunca nos educar”. Hoje temos que nos reeducar e no reinventar como humanos.

Por isso, acrescento às dimensões acima referidas, estas duas: aprender a cuidar e aprender a se espiritualizar.

Mas antes faz-se mister, previamente, resgatar a inteligência cordial, sensível ou emocional. Sem ela, falar do cuidado e da espiritualidade faz pouco sentido. A causa reside no fato de que todo sistema moderno de ensino se funda na razão intelectual, intrumental e analítica. Ela é uma forma de conhecer e de dominar a realidadade, fazendo-a mero objeto. Sob o pretexto de que a razão sensível impediria a objetividade do conhecimento, foi recalcada. Com isso surgiu uma visão fria do mundo. Ocorreu uma espécie de lobotomia que nos impede de nos sentir parte da natureza e de perceber a dor os outros.

Sabemos que a razão intelectual, como a temos hoje, é recente, possui cerca de 200 mil anos quando surgiu o homo sapiens com seu cérebro neo-cortical. Mas antes dele, surgiu há cerca de 200 milhões de anos, o cérebro límbico, por ocasião da emergência dos mamíferos. Com eles, entrou no mundo o amor,o cuidado, o sentimento que se devotam à cria. Nós humanos, esquecemos que somos mamíferos inteletuais. Logo, somos fundamentalmente portadores de emoções, paixões e afetos. No cérebro límbico reside o nicho da ética, dos sentimentos oceânicos como os religiosos. Antes ainda há 300 milhões de anos, irropeu o cérebro reptilínio que responde por nossos reaçõs instintivas; mas não é o caso de abordá-lo aqui.

O que importa é que hoje temos que enriquecer nossa razão intelectual com a razão cordial, muito mais ancestral, se quisermos fazer valer o cuidado e a espiritualidade.

Sem essas duas dimensões não iremos nos mobilizar para cuidar da Terra, da água, do clima, das relações inclusivas. Precisamos cuidar de tudo, sem o que as coisas se deterioram e perecem. E então iríamos encontro de um cenário dramático.

Outra tarefa é resgatar a dimensão da espiritualidade. Ela não deve ser identificada com a religião. Ela subjaz à religião porque é anterior a ela. A espiritualidade é uma dimensão inerente ao ser humano como a razão, a vontade e sexualidade. É o lado do profundo, de onde emergem as questões do sentido terminal da vida e do mundo.

Infelizmente estas questões foram tidas como algo privado e sem grande valor. Mas sem sua incorporação, a vida perde irradiação e alegria. Mas há um dado novo: os neurólogos concluiram que sempre que o ser humano aborda estas questões do sentido, do sagrado e de Deus, há uma aceleração sensível nos neurônios do lobo frontal. Chamaram a isso “ponto Deus” no cérebro, uma espécie de órgão interior pelo qual captmos a Presença de uma Energia poderosa e amorosa que liga e re-liga todas as coisas.

Avivar esse “ponto Deus” nos faz mais solidários, amorosos e cuidadosos. Ele se opõe ao consumismo e materialismo de nossa cultura. Todos, especialmente os que estão na escola, devem ser iniciados nessa espiritualdidade, pois nos torna mais sensíveis aos outros, mais ligados à mãe Terra, à natureza e ao cuidado, valores sem os quais não garantiremos um futuro bom para nós.

Inteligência cordial e espiritualidade são as exigências mais urgentes que a a tal situação ameaçadora nos faz.


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segunda-feira, 2 de março de 2015

Núcleo tem plantão do Departamento Jurídico em 27 de fevereiro


No dia 27 de fevereiro, sexta-feira, ocorreu na sede do Núcleo Sepe Rio das Ostras e Casimiro de Abreu mais um plantão do Departamento Jurídico com a presença do advogado do Sepe Central para tratar das demandas da categoria.

O Núcleo, como de praxe, recebeu a visita de professores para atendimento jurídico, diante da situação apresentada pelas diversas redes, com destaque para a questão do assédio moral, quando profissionais são perseguidos, principalmente, quando cobram seus direitos trabalhistas.

A pauta desta reunião deu continuidade às questões tratadas em outros plantões: 1) Situação dos professores grevistas da rede estadual que vêm sendo perseguidos com perda de origem e até processo de demissão; 2) Nova audiência no Fórum de Justiça sobre o processo do Sepe cobrando o cumprimento do 1/3 da carga para planejamento; 3) Reunião do Ministério Público contendo problemas da rede municipal de Rio das Ostras, com a contratação de novos contêineres; 4) Acompanhamento do processos de desconto em folha dos profissionais da mesma rede filiados ao Sepe, entre outras questões.

Só a luta transforma a vida!


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Por uma educação protagonista




Por Frei Betto


A educação crítica é o grande desafio nesse mundo hegemonizado pelo capitalismo neoliberal. Ela tem como princípio formar não apenas profissionais qualificados, mas cidadãos protagonistas de transformações sociais.
Ela extrapola os limites físicos da escola e vincula educadores e educandos a movimentos sociais, sindicatos, ONGs, partidos políticos, enfim, a todas as instituições que desempenham atividades de transformação social.
A educação crítica só se desenvolve em sintonia com os processos reais de emancipação em curso e as reflexões teóricas que fundamentam tais processos.
Deve levar em conta três tempos que se intercalam: das estruturas (mais longo); o das conjunturas (mais imediato e mutável); e o do cotidiano (no qual vivenciamos o conflito permanente entre a satisfação de interesses pessoais e a consciência das demandas altruístas).
O tempo das estruturas deve ser objeto da educação escolar. Ele nos remete à história da história, aos grandes processos sociais com seus avanços e recuos.
Quanto mais educadores e educandos são conscientes do tempo estrutural, mais se contextualizam e se compreendem como herdeiros de uma história que, entre dificuldades, avança da opressão à libertação.
Ter consciência do tempo das estruturas é ter consciência histórica e não se deixar afogar no mar de contradições dos tempos de conjunturas e do cotidiano. Cada um de nós é um pequeno elo na vasta corrente do processo social. Só tendo consciência da amplitude da corrente apreendemos a importância do elo que somos. Uma educação que não se abre para o tempo das estruturas corre o sério risco de ser cooptada pela estrutura mundialmente hegemônica.
O tempo das conjunturas é o das mutações cíclicas que produzem inflexões nas estruturas sem, no entanto, alterá-las substancialmente. O acúmulo de conjunturas influi na mudança do tempo das estruturas. O grande desafio é como se comportar em determinada conjuntura de modo a aprimorar ou transformar a estrutura.
O tempo do cotidiano é o do dia a dia, no qual trafegamos e tropeçamos, movidos por ideais altruístas, solidários e, ao mesmo tempo, atraídos pelas seduções do comodismo e do individualismo.
É no tempo do cotidiano que a educação atua e permite uma compreensão crítica da conjuntura e desperta o imperativo de se comprometer com a transformação da estrutura.
Nesse tempo cotidiano vivemos imersos, muitas vezes movidos por utopias libertárias e, ao mesmo tempo, desanimados ao reconhecer, a cada dia, que a matéria-prima do futuro é humana, sempre frágil, ambígua e contraditória.
A formação da consciência crítica e do protagonismo social resulta de um processo pedagógico que intercala os três tempos, de modo a evitar a mesquinhez de um cotidiano que nem sempre reflete os valores em nome dos quais o assumimos e queremos educar.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Voltando ao socialismo


Por Wladimir Pomar


Voltando à nossa discussão sobre o socialismo, apesar das prementes questões da conjuntura econômica e política brasileira, temos que concordar com Cláudio Katz quando afirma que a “experiência legada pelo primeiro ensaio de gestão estatal não capitalista em grande escala foi enorme”. Sem dúvida, “compreender por que a União Soviética desmoronou” é uma das condições “para reabilitar o projeto socialista”.
Mas Katz, logo depois, resvala na exigência não só de reconhecer como válida a “natureza não capitalista” do ensaio soviético, mas também de supor que “os ideais socialistas se dissiparam com a estabilização de uma burocracia hostil ao igualitarismo e à democracia”. Ou seja, ele não arreda pé de que socialismo seja igualitarismo, que igualitarismo seja o parâmetro para avaliar as tentativas socialistas, e que o socialismo deve negar a existência de qualquer resto capitalista em sua sociedade.
Vê-se, assim, na necessidade de descobrir as raízes da “estabilização” da “burocracia hostil ao igualitarismo e à democracia” num país supostamente “não capitalista”. Mas, ao analisar os diferentes enfoques a respeito da URSS, Katz assegura que o debate “mais importante” é o que se refere à “validez” ou não da “construção socialista”, em países subdesenvolvidos. Relembra que há os que afirmam que tal empreendimento “jamais deveria ter sido ensaiado”. E que também há os que, “partindo do acertado preceito de que o socialismo só poderá realizar-se em escala global” supõem que tal “construção jamais deveria começar em um país subdesenvolvido”, como pensava a velha socialdemocracia, para quem o socialismo seria “um processo evolutivo, que começaria nas economias mais avançadas e se propagaria paulatinamente ao resto do mundo”.
Não deixa de ser interessante que Katz continue falando do socialismo quando em verdade trata do comunismo. Foi Marx quem afirmou que o comunismo, não o socialismo, só poderá realizar-se em escala global. E também foi ele quem aventou a hipótese de que as revoluções comunistas deveriam ocorrer primeiro em países capitalistas mais avançados. Afinal, na época de Marx, era nesses países que as forças produtivas haviam se desenvolvido mais rapidamente, e a luta de classes entre o proletariado e a burguesia se tornara mais intensa.
Mas, como já vimos, no final do século 19 o desenvolvimento capitalista conduziu ao imperialismo, a uma nova repartição colonial do mundo, e ao deslocamento do epicentro das lutas entre as classes. Estas lutas passaram a incluir os confrontos entre os diversos países ou grupos de países imperialistas, os conflitos entre os povos dos países colonizados e os países imperialistas, e as disputas entre classes do interior dos países subdesenvolvidos. Essa combinação conflituosa apresentou a possibilidade e efetivação de revoluções nesses países.
Mas elas não podiam ser comunistas, ou objetivarem a transformação total da propriedade privada em propriedade social. Não foi por acaso que o programa de todas elas, apresentado por comunistas e/ou socialistas, tivesse um forte conteúdo democrático-burguês. Para assumir a direção da revolução russa de 1917, Lenin recuou da proposta de nacionalização da terra para uma reforma agrária democrático-burguesa. Ao serem realizadas em sociedades pouco desenvolvidas no sentido capitalista, e ainda com a presença de relações de produção escravistas, feudais e/ou semifeudais, os aspectos “socialistas” dessas revoluções só podiam residir no controle do Estado por forças socialistas, e a construção de alguns instrumentos estatais para orientar o desenvolvimento das forças produtivas e evitar o caos no mercado.
Assim, a hegemonia socialista sobre o Estado até poderia permitir que elas fossem chamadas “socialistas”. Mas a base de tais sociedades, para desenvolver as forças produtivas e criar as condições materiais e culturais para avançar, a longo prazo, no rumo de sociedades comunistas, ainda teria que conviver com a existência de várias formas de propriedade privada. Foi o que ocorreu com as “sociedades socialistas” surgidas de revoluções em países subdesenvolvidos, como Rússia, Mongólia, China, Cuba e Vietnã.
Nelas, o Estado teria que combinar propriedade estatal e propriedade privada, e planejamento estatal e mercado, para levar a burguesia a exercer o papel histórico de desenvolver as forças produtivas que até então não cumprira. Portanto, da mesma forma que o desenvolvimento histórico capitalista tem sido desigual, com diferentes formas nacionais, o socialismo também vem apresentando e continuará apresentando diferentes formas nacionais de desenvolvimento.
Os soviéticos acreditaram que o sucesso do Estado durante a guerra quente contra o nazismo poderia estender-se durante o período posterior da guerra fria, ou da paz armada. Não retornaram ao programa da NEP. Isto é, àquelas combinações heterodoxas entre a propriedade estatal e a propriedade privada, e entre o planejamento e o mercado. O grande debate econômico dos anos 1950 na URSS deu ganho de causa aos estatistas. Quando pretenderam voltar atrás, primeiro nos anos 1960 e, depois, nos anos 1980, o fizeram de forma tão arrogante, atabalhoada e incompetente que o resultado só poderia ser a derrocada.
Apesar disso, a prática vem mostrando que o socialismo de longa transição pode ser viável na periferia, embora sob o risco constante de mudar de natureza pela simbiose necessária entre o poder político socialista e a base econômica mista, estatal-privada. No entanto, essa viabilidade “socialista” não está ainda relacionada com o comunismo, que Katz continua confundindo com o socialismo. Está relacionada com a necessidade de completar a tarefa histórica capitalista de desenvolver as forças produtivas. Numa dessas ironias da história, a necessidade do socialismo de longa transição é mais premente naqueles países que se encontram mais atrasados do ponto de vista capitalista, mais afetados pela crise do capitalismo desenvolvido, e onde a luta de classes encontra uma burguesia apática diante da ação avassaladora das corporações transnacionais.
Portanto, ao contrário do que supõe Katz, as revoluções ou a assunção de forças socialistas ao poder nos países subdesenvolvidos, ou em desenvolvimento, não poderão construir “sociedades socialistas igualitárias”, nem se propor a isso. Ele próprio reconhece que a construção de uma sociedade igualitária exigirá muitas gerações e um funcionamento muito mais complexo que a simples “administração das coisas”. Apesar disso, ele acredita que o socialismo, ao invés do comunismo, é a antítese do capitalismo.
Pior. Ele também crê que o desenvolvimento soviético foi um ensaio frustrado de socialismo que será revalorizado com o tempo porque os obstáculos para forjar uma sociedade de igualdade, justiça e liberdade não são inerentes ao gênero humano. Seriam “barreiras políticas, sociais e ideológicas” que, sob o capitalismo, provêm da dominação exercida pela minoria burguesa e, no modelo soviético, derivaram do papel coercitivo da burocracia governante.
Ou seja, por um lado, Katz pretende renovar a utilização da terminologia socialista, que não teria substituto para definir o ideário pós-capitalista. Por outro, ele joga no lixo, como imprestável, a descoberta marxista de que os obstáculos para forjar uma sociedade de igualdade, justiça e liberdade estão no baixo desenvolvimento capitalista, não em seu alto desenvolvimento. E despreza que as barreiras políticas, sociais e ideológicas resultam do pequeno desenvolvimento das contradições entre o estágio das forças produtivas e das relações de produção, e não de qualquer burocracia reinante.
É verdade que ele se esforça para rechaçar a acusação de que o marxismo postulou uma lei histórica determinante do destino socialista. E aproveita a ocasião para estender a mesma objeção aos advogados da eternidade capitalista. Para ele, se não existe uma inevitabilidade da evolução humana no devir comunista, tampouco se pode imaginar a interminável recriação de um regime de competição por lucros provindos da exploração. Mesmo porque, na luta de classes entre capitalismo e comunismo, embora a humanidade corra o perigo de ser destruída pela loucura do capital, o que vale a pena reafirmar é o fato de que o capitalismo gera socialismo e comunismo quanto mais se desenvolve.
Ao elevar a produtividade e a aplicação das ciências e das tecnologias às forças produtivas, o capitalismo acelera, ao mesmo tempo, uma imensa capacidade produtiva, uma centralização absurda das riquezas em poucas mãos e uma crescente massa de desempregados estruturais. Cria um absurdo civilizatório cuja solução parcial pode ser o socialismo, e cuja solução pós-capitalista é o comunismo. As contradições que surgirão desse novo modo de produzir e distribuir os bens, ou “as coisas”, necessários à vida humana, é algo que somente as mulheres e homens desse tempo futuro poderão descobrir.

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No desespero, pouca esperança


Por Milton Temer


NeoPT no governo. PMDB no poder. É o que se revela diante da rendição total do Planalto ao único partido que garante apoio ao plano de austeridade que Joaquim Levy apresenta em nome de Dilma. E vem daí, talvez, a preocupação da cúpula tucana em se desvincular de qualquer perspectiva de impeachment da presidente. Porque a se concretizar tal manobra, quem assume é o seu vice, hoje incapaz de responder por qualquer iniciativa do PMDB que não passe pelo "aprovo" de Eduardo Cunha – que não tem currículo, mas manchas espalhadas de presença suspeita em inúmeros malfeitos.
Reparem na foto abaixo: quem recebe o informe de Levy e quem apenas escuta, calado, na cadeira ao lado. Difícil não se chocar com o simbolismo da vitória do que há de pior, por conta da derrota daquilo que traiu duas décadas de batalha permanente pela transformação social do país.

Por isso, e apenas por isso, embora tenha acordo total com a essência da análise conjuntural, não me somo à frase inicial do artigo de Vladimir Safatle, na Folha de S. Paulo, que, citando Marx, vê se agigantando um espaço de esperança em meio à crise. Marx, em seu tempo, previa o fim do ciclo de poder monárquico absolutista, mas com a perspectiva de uma superação de curto prazo do capitalismo já em vigor.

Como lembrou Benjamin, bem mais tarde, não avaliava naquele quadro a força da resistência do regime ascendente. Não avaliava o peso da alienação de classe dos oprimidos, nem a facilidade de envolvimento desses oprimidos com possibilidade de ascensão social dentro desse regime.
No quadro brasileiro atual, a saída, por conta da falência do PT e seu transformismo em legenda esquizofrênica, que faz propaganda em seu programa de TV de um programa reformista, para, no mesmo discurso, pedir apoio incondicional ao governo que manobra de forma antagônica, não cabe a esperança.

Suicidando-se paulatinamente, na entrega sucessiva de espaços ao programa ideológico da classe dominante, temo que vemos contexto distinto da falência da ditadura, em seu momento de fundação heroica e simbólica. Não temos polaridade ideológica em termos planetários, nem o entusiasmo das massas pela perspectiva de progresso social com a vitória sobre o regime de força.

Pelo contrário, temos, na falência do PT, a simbologia de que "são todos iguais quando chegam ao poder". Corrupção, despolitização da política, fisiologismo, canalhice parlamentar e estelionato eleitoral. Está tudo aí depois de 12 anos de um governo dito popular e de esquerda.
Entregamos os pontos? Nem pensar. Vamos à luta, pois não há mal que sempre dure. Mas haja energia para saber que, mais do que nunca, é por nossos filhos mais jovens e nossos netos que estamos na rinha. E fazendo votos para que, como diz Mészaros na apresentação de seu último livro, diante da crescente hegemonia do mais predatório capitalismo, pelo menos cheguemos à barbárie, sem que nos vejamos antes submetidos à autodestruição da humanidade.

Luta que segue! Portanto, com os pés no chão. Com o otimismo da vontade, mas sem perder de vista o pessimismo da razão.


Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
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