sexta-feira, 4 de abril de 2014

50 anos do golpe, início de uma tragédia brasileira

Que essas lições nos ajudem a evitar erros do passado. E que a classe trabalhadora se conscientize, se organize melhor na construção de processos que levem a uma sociedade mais justa, verdadeiramente democrática e igualitária 

Editorial da edição 578 do Brasil de Fato

A década de 1960 foi marcada na historia do Brasil por uma crise econômica e política. A economia brasileira patinava no seu falso modelo de industrialização dependente do capital estrangeiro. Crescia a inflação e o desemprego. Mas por outro lado, havia um governo popular do presidente João Goulart e a classe trabalhadora vinha de um longo período de reascenso do movimento de massas desde a segunda guerra mundial. 

Essas circunstâncias levaram a que as forças populares e o governo Goulart apresentassem à nação uma saída para a crise: as reformas de base. As reformas propostas significavam adotar um novo modelo de desenvolvimento fundado na indústria nacional, na distribuição de renda e a melhoria das condições de vida da população brasileira. 

Para isso, seria necessário controlar o capital financeiro através de uma reforma bancária. Repotencializar a indústria brasileira, com uma reforma industrial que reorganizasse a indústria para o mercado interno e para as necessidades do povo. 

Uma reforma educacional para eliminar o analfabetismo e colocar todos os jovens nas escolas, em todos os níveis. E uma reforma agrária que garantisse terra e desenvolvimento no meio rural, gerando produção, emprego e renda ao meio rural. A proposta de reforma agrária de Goulart foi a mais ousada até hoje, quando propôs desapropriar todas as fazendas acima de 500 hectares, localizadas 10 km de cada lado das rodovias, ferrovias e margens de lagos e açudes. 

Essas propostas uniam as forças populares que estavam nas ligas camponesas, sindicatos, quartéis, campos e construção (como diz a música de Geraldo Vandré) com um governo popular que tomava iniciativa das mudanças. 

Porém, as forças do capital se articularam com o império estadunidense – como bem demonstra o imperdível filme de Flávio Tavares O Dia que Durou 21 Anos – ou o livro deRené Armand Dreifuss (1964: a conquista do Estado. Ação Política, Poder e Golpe de Classe, Vozes, Petrópolis, Rio de Janeiro, 1981 – e organizaram um golpe de Estado. 

Sempre que a burguesia, em todo o mundo, se sente ameaçada nos seus privilégios, joga na lata de lixo as leis, a Constituição, a democracia, sua própria ordem burguesa e apela para as armas, para a força bruta, para recompor seu controle sobre o Estado e sua vontade política de classe. E assim foi aqui no Brasil. Dia 1 de abril de 1964, dia da mentira, se perpetuou um golpe militar e se implantou uma ditadura empresarial-militar que durou 21 anos! 

Na economia, a burguesia imperialista dos Estados Unidos socorreu o Brasil trazendo seus dólares. Injetaram bilhões como investimento externo, que produziram um “milagre brasileiro” de retomada do crescimento da economia, baseado em grandes obras e deixando como saldo a maior dívida externa de todos os tempos, que iria estourar anos mais tarde, na década de 1980. 

E assim a economia se transformou ainda mais dependente do capital estadunidense e das empresas transnacionais em geral. Para impor sua ordem, nos primeiros tempos a repressão se abateu contra todas as formas de organização da classe trabalhadora: ligas camponesas, sindicatos, central sindical e setores progressistas das igrejas. E se voltou contra todos os militares progressistas que apoiavam o governo Goulart e as reformas de base. 

Depois, a partir de 1968, a repressão se aprofundou com a criação dos Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), financiado por empresas. A partir daí, se cometeu todo tipo de crime – torturas, assassinatos, ocultação de cadáveres etc. –, que atingiram a juventude, o movimento estudantil e as formas de resistência armadas que as organizações políticas haviam adotado. 

A repressão se amplia com o cerco à guerrilha do Araguaia (1973- 75) e nova onda de pressão nas cidades. Mas foi também o início de sua queda. Pois a partir das greves de 1978/79, a classe trabalhadora retoma as mobilizações de massa, a campanha pelas Diretas Já, e finalmente, a primeira eleição para presidente em 1989, que representaram o fim e derrota da ditadura empresarial- -militar. 

Nesses anos todos, além da falta de liberdade, da instalação de um regime ditatorial, de políticos medíocres, tivemos milhares de brasileiros perseguidos, exilados, torturados e assassinados. Nunca poderemos nos esquecer deles! A Lei de Anistia de 1979 serviu apenas para esconder os responsáveis, que agora a Comissão da Verdade não consegue recuperar e nem realizar a justiça necessária. 

Nessa semana que marca os 50 anos do golpe – início dessa tragédia social e política que a sociedade brasileira viveu – certamente se multiplicarão eventos e oportunidades em debates, livros e filmes, para recuperar a memória e refletir sobre as lições dessa trágica história. 

O jornal Brasil de Fato se junta nessa recuperação histórica, sobretudo para a nova geração de lutadores da juventude brasileira, para que conheçam a nossa história, para que conheçam a sanha do capital e as perversidades do que é capaz de fazer a burguesia brasileira para não perder seus privilégios. 

Que essas lições nos ajudem a evitar erros do passado. E que a classe trabalhadora se conscientize, se organize melhor na construção de processos que levem a uma sociedade mais justa, verdadeiramente democrática e igualitária. Situação que ainda estamos longe de conquistar, diante das mazelas econômicas, sociais e políticas que colocam a sociedade brasileira entre as mais injustas e desiguais de todo o planeta.




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Reintegrar-se no espaço e no tempo

 

Por Leonardo Boff

A partir dos anos 70 do século passado ficou clara para grande parte da comunidade científica que a Terra não é apenas um planeta sobre o qual existe vida. A Terra se apresenta com tal dosagem de elementos, de temperatura, de composição química da atmosfera e do mar que somente um organismo vivo pode fazer o que ela faz. A Terra não contem simplesmente vida. Ela é viva, um super-organismo vivente, denominado pelos andinos de Pacha Mama e pelos modernos de Gaia, o nome grego para a Terra viva.

A espécie humana representa a capacidade de Gaia de ter um pensamento reflexo e uma consciência sintetizadora e amorosa. Nós humanos, homens e mulheres, possibilitamos à Terra a apreciar a sua luxuriante beleza, a contemplar a sua intrincada complexidade e a descobrir espiritualmente o Mistério que a penetra.
O que os seres humanos são em relação à Terra é a Terra em relação ao cosmos por nós conhecido. O cosmos não é um objeto sobre o qual descobrimos a vida. O cosmos é, segundo muitos cosmólogos contemporâneos, (Goswami, Swimme e outros) um sujeito vivente que se encontra num processo permanente de gênese. Caminhou 13,7 bilhões de anos, se enovelou sobre si mesmo e madurou de tal forma que num canto dele, na Via láctea, no sistema solar, no planeta Terra emergiu a consciência reflexa de si mesmo, de donde veio, para onde vai e qual é a Energia poderosa que tudo sustenta.

Quando um eco-agrônomo estuda a composição química de um solo é a própria Terra que estuda a si mesma. Quando um astrônomo dirige o telescópio para as estrelas, é o próprio universo que olha para si mesmo.
A mudança que esta leitura deve produzir nas mentalidades e nas instituições só é comparável com aquela que se realizou no século XVI ao se comprovar que a Terra era redonda e girava ao redor do sol. Especialmente a transformação de que as coisas ainda não estão prontas, estão continuamente nascendo, abertas a novas formas de auto-realização. Consequentemente a verdade se dá numa referência aberta e não num código fechado e estabelecido. Só está na verdade quem caminha com o processo de manifestação da verdade.

Importa, antes de mais nada, realizar a reintegração do tempo. Nós não temos a idade que se conta a partir do dia do nosso nascimento. Nós temos a idade do cosmos. Começamos a nascer há 13,7 bilhões de anos quando principiaram a se organizar todas aquelas energias e materiais que entram na constituição de nosso corpo e de nossa psiqué. Quando isso madurou então nascemos de verdade e sempre abertos a outros aperfeiçoamentos futuros.

Se sintetizarmos o relógio cósmico de 13,7 bilhões de anos no espaço de um ano solar, como o fez ingeniosamente Carl Sagan no seu livro Os Dragões do Eden (N.York 1977, 14-16) e querendo apenas realçar algumas datas que nos interessam, teríamos o seguinte quadro:

A primeiro de janeiro ocorreu o big bang. A primeiro de maio o surgimento da Via-Láctea. A nove de setembro, a origem do sistema solar. A 14 de setembro, a formação da Terra. A 25 de setembro, a origem da vida. A 30 de dezembro, o aparecimento dos primeiros hominídeos, avós ancestrais dos humanos. A 31 de dezembro, irromperam os primeiros homens e mulheres. Os últimos 10 segundos de 31 de dezembro inauguraram a história do homo sapiens/demens do qual descendemos diretamente. O nascimento de Cristo ter-se-ia dado precisamente às 23 horas 59 minutos e 56 segundos. O mundo moderno teria surgido no 58º segundo do último minuto do ano. E nós individualmente? Na última fracção de segundo antes de completar meia-noite.

Em outras palavras, somente há 24 horas que o universo e a Terra têm consciência reflexa de si mesmos. Se Deus dissesse a um anjo: “procure no espaço e identifique no tempo a Denise ou o Edson ou a Silvia”, certamente não o conseguiria porque eles são menos que um pó de areia vagando no vácuo interstelar e começaram a existir a menos de um segundo atrás. Mas Deus sim, porque Ele escuta o pulsar do coração de cada filho e filha seus, porque neles o universo converge em autoconsciência, em amorização e em celebração.
Uma pedagogia adequada à nova cosmologia nos deveria introduzir nestas dimensões que nos evocam o sagrado do universo e o milagre de nossa própria existência. Isso em todo o processo educativo, da escola primária à universidade.

Em seguida faz-se mister reintegrar o espaço dentro do qual nos encontramos. Vendo a Terra de fora da Terra, nos descobrimos um elo de uma imensa cadeia de seres celestes. Estamos numa das 100 bilhões de galáxias, a Via Láctea. Numa distância de 28 mil anos luz de seu centro; pertencemos ao sistema solar que é um entre bilhões e bilhões de outras estrelas, num planeta pequeno mas extremamente aquinhoado de fatores favoráveis à evolução de formas cada vez complexas e conscientizadas de vida: a Terra.

Na Terra nos encontramos num Continente que se independizou há cerca de 210 milhões de anos atrás quando a Pangea (o continente único da Terra) se fraturou e que ganhou a configuração atual. Estamos nesta cidade, nesta rua nesta casa, neste quarto, e nesta mesa diante do computador partir donde me relaciono e me sinto ligado à totalidade de todos os espaços do universo.

Reintegrados no espaço e no tempo nos sentimos como Pascal diria: um nada diante do Todo e um Todo diante do nada. E nossa grandeza resie em pensar e celebrar tudo isso.



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Conversando com versos (55): “Celeste”, de Adelino Fontoura (1859-1884)

 

"Celeste"


É tão divina a angélica aparência,
e a graça que ilumina o rosto dela,
que eu concebera o tipo da inocência
nessa criança imaculada e bela.

  Peregrina no céu, pálida estrela
exilada da etérea transparência,
 sua origem não pode ser aquela
 da nossa triste e mísera existência.

  Tem a celeste e ingênua formosura
 e a luminosa auréola sacrossanta
 de uma visão do céu, cândida e pura.

  E, quando os olhos para o céu levanta,
 inundados de mística doçura,
 nem parece mulher - parece santa.




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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Votação do PNE é adiada mais uma vez

 

Depois de pedido de vista coletivo, em março, que suspendeu a votação na comissão especial da Câmara que analisa a proposta do Plano Nacional de Educação (PNE),a hora parecia ter chegado. Mas nessa quarta-feira, dia 2 de abril, a votação foi novamente adiada. O relatório do deputado Angelo Vanhoni garante o compromisso público com a expansão de vagas na Educação Profissional e Superior, o prazo para a alfabetização das crianças na idade certa e o tratamento adequado às questões de gênero e diversidade. Porém, ainda há questões polêmicas.

Para a CNTE, apesar dos avanços em relação ao projeto do Senado, o relatório não atende pontos essenciais, como a exclusividade dos 10% do PIB para a educação pública e a complementação do Custo Aluno pela União. No caso do PIB, o relator mesclou a redação da Câmara e do Senado, destinando o total para a educação pública mas mantendo a possibilidade de financiamento privado com recurso público. Além disso, os trabalhadores em educação exigem a retirada da estratégia que vincula a valorização da carreira ao Índice de Desenvolvimento da  Educação Básica, IDEB, considerado frágil. Para o vice-presidente da CNTE, Milton Canuto, essa exclusão é estratégica:"Caso contrário, prejudicará o processo de valorização dos profissionais de educação e é preciso que se evite isso", afirma.

Novas sessões foram marcadas para os dias 8 e 9 de abril. Já são quase 4 anos de tramitação. Depois de aprovado na Comissão, o PNE vai para o plenário, onde pode sofrer novas alterações. Segundo Canuto, esse momento também vai exigir muito trabalho: "Nós encaminhamos um documento para todos os deputados com o risco de cada ponto e a batalha será no corpo a corpo para que se garanta a aprovação de um direito pleno da cidadania do povo brasileiro, a garantia à educação e à valorização profisional".

Veja mais fotos na página da CNTE no Facebook.

Fonte:



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Carta aberta: é preciso aperfeiçoar o relatório do PNE

A CNTE assina com mais de sessenta entidades e movimentos educacionais Carta Aberta solicitando alterações no relatório do Dep. Angelo Vanhoni (PT-PR) ao Projeto de Lei 8035/2010, que trata do novo PNE (Plano Nacional de Educação).

Com o intuito de garantir um PNE capaz de colaborar decisivamente com a consagração do direito à educação pública de qualidade, as entidades solicitam às deputadas e aos deputados federais que compõem a Comissão Especial o destaque a três pontos do relatório. Confira.

Leia abaixo:

CARTA ABERTA DAS ENTIDADES E MOVIMENTOS EDUCACIONAIS

É PRECISO APERFEIÇOAR O RELATÓRIO DO PNE PARA GARANTIR UM PLANO CAPAZ DE CONSAGRAR O DIREITO À EDUCAÇÃO PÚBLICA NO BRASIL

Brasil, 01 de abril de 2014.

Com o intuito de garantir um Plano Nacional de Educação (PNE) capaz de colaborar decisivamente com a consagração do direito à educação pública de qualidade, as entidades e os movimentos educacionais signatários solicitam às deputadas e aos deputados federais que compõem a Comissão Especial do PL 8035/ 2010 o destaque a três pontos do relatório do Dep. Angelo Vanhoni (PT-PR).

Mesmo afirmando que na Meta 20 do PNE o investimento público será em educação pública, ao incorporar proposta do Senado Federal na forma do parágrafo 4º ao Art. 5º, o relatório do Dep. Vanhoni acaba por estabelecer uma nova maneira de contabilizar o investimento em políticas públicas educacionais.

Para considerar na contabilização da Meta 20 do PNE (10% do PIB para educação pública) programas como Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego), ProUni (Programa Universidade para Todos), Ciências Sem Fronteiras e FIES (Fundo de Financiamento Estudantil), além de matrículas em creches e pré-escolas conveniadas, o relator absorve um dispositivo que pode levar à falta de garantia da expansão da educação pública nos diversos níveis e modalidades de ensino.

Em outras palavras, a manutenção desse instrumento pode significar a indistinção entre o que é público e o que é privado, trazendo graves consequências à gestão educacional e à qualidade da educação. E mais grave: da forma como está disposto, permite uma expansão ilimitada dos programas supracitados no orçamento da educação. Portanto, é preciso suprimir o parágrafo 4º do Art. 5º da proposta de Lei do PNE.

No âmbito da Educação Básica e da questão federativa, ao não retomar a Estratégia 20.10 da Câmara dos Deputados, que determina a complementação da União ao Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi) e ao Custo Aluno-Qualidade (CAQ), o relatório desobriga o Governo Federal a participar de modo justo e decisivo na Educação Básica.

Assim, caso o texto seja mantido tal como propõe o relator, todo o custo da elevação de qualidade na Educação Básica, determinada pelos mecanismos do CAQi e do CAQ, recairá sobre os orçamentos municipais e estaduais, ferindo tanto a realidade orçamentária dos entes subnacionais como o disposto no parágrafo 1º do Art. 211 da Constituição Federal: cabe à União colaborar técnica e financeiramente com Estados e Municípios para o atingimento de um padrão mínimo de qualidade na Educação (mensurado pelo CAQi).

Vale ressaltar que a complementação da União ao CAQi e ao CAQ consta do Documento Final da Conae (Conferência Nacional de Educação) de 2010 e do Documento Base da Conae de 2014. Ou seja, é um instrumento imprescindível para a comunidade educacional. Desse modo, a Estratégia 20.10 precisa ser reinserida no PNE.

Por último, ao incorporar a Estratégia 7.36 do Senado Federal, o relatório do Dep. Angelo Vanhoni estimula, por meio do PNE, a prática de bonificação por resultados na educação pública brasileira. Essa política, que tem sido revogada mundo afora, acaba por desconstruir a carreira docente e não melhora a aprendizagem, pelo contrário: é contraproducente. O caso mais emblemático de revogação da medida ocorreu em Nova Iorque, na gestão do prefeito republicano Michael Bloomberg. Portanto, é preciso suprimir a Estratégia 7.36.

Afora os destaques acima mencionados, as entidades e movimentos educacionais solicitam a aprovação dos deputados e das deputadas da Comissão Especial ao texto do relator Angelo Vanhoni (PT-PR) no que se refere à questão do combate às discriminações de gênero, raça e de orientação sexual. O PNE não pode se eximir de planificar uma educação que respeite integralmente todos os cidadãos e cidadãs em território nacional, fazendo das políticas educacionais um instrumento fundamental de combate aos preconceitos e à violência contra a mulher, contra os negros e as negras e contra a comunidade LGBT.

Por fim, demonstrando a unidade do movimento educacional, o que está disposto nesta Carta Aberta está alicerçado pela 21ª Nota Pública do Fórum Nacional de Educação, espaço de encontro entre a sociedade civil e os governos.

As entidades e movimentos educacionais signatários desta Carta acompanharão as votações finais do PNE na Comissão Especial e no Plenário da Câmara dos Deputados, observando a presença e os votos dos deputados e das deputadas.

Entidades e movimentos educacionais signatários (por ordem alfabética):
1. AASSOPAES (Associação de Pais de Alunos do Espírito Santo)
2. ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)
3. AÇÃO EDUCATIVA – ASSESSORIA, PESQUISA E INFORMAÇÃO
4. ACTIONAID BRASIL
5. ALIANÇA PELA INFÂNCIA
6. ANFOPE (Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação)
7. ANPAE (Associação Nacional de Política e Administração da Educação)
8. ANPAE/AL
9. ANPAE/PI
10. ANPED (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação)
11. CADARA (Comissão Assessora de Diversidade para Assuntos Relacionados aos Afrodescentes)
12. CAMPANHA NACIONAL PELO DIREITO À EDUCAÇÃO
13. CAMPE (Centro de Apoio a Mães de Portadores de Eficiência)
14. CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire)
15. CEDECA-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará)
16. CEDES (Centro de Estudos Educação e Sociedade)
17. CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária)
18. CENTRO PARANAENSE DA CIDADANIA
19. CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil)
20. CMB (Confederação de Mulheres do Brasil)
21. CNAB (Congresso Nacional Afro-brasileiro)
22. CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação)
23. CONTEE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino)
24. CRECE (Conselho de Representantes dos Conselhos de Escola)
25. CUT (Central Única dos Trabalhadores)
26. ECOS - COMUNICAÇÃO EM SEXUALIDADE
27. ENEGRECER (Coletivo Nacional de Juventude Negra)
28. ESCOLA DE GENTE – COMUNICAÇÃO EM INCLUSÃO
29. ESCOLA POLITÉCNICA DE SAÚDE JOAQUIM VENÂNCIO DA FIOCRUZ
30. FACULDADE DE EDUCAÇÃO DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
31. FASUBRA (Federação de Sindicatos de Trabalhadores de Universidades Brasileiras)
32. FEIC (Fórum de Educação Infantil do Ceará)
33. FINEDUCA (Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação)
34. FOMEJA (Fórum Mineiro de Educação de Jovens e Adultos)
35. FÓRUM DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO RIO GRANDE DO NORTE
36. FÓRUM GO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
37. FÓRUM PERMANENTE DE EDUCAÇÃO INFANTIL DO ESPÍRITO SANTO
38. FÓRUM RJ DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
39. FÓRUM RO DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
40. FÓRUM SC DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
41. FÓRUM SP DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
42. FORUMDIR (Fórum Nacional de Diretores de Faculdades/Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras)
43. FUNDAÇÃO ABRINQ PELOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
44. GELEDÉS INSTITUTO DA MULHER NEGRA
45. GRUPO DIGNIDADE
46. IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas)
47. INESC (Instituto de Estudos Socioeconômicos)
48. INSTITUTO BRASILEIRO DE DIVERSIDADE SEXUAL
49. INSTITUTO PAULO FREIRE
50. JPL (Juventude Pátria Livre)
51. MIEIB (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil)
52. MMM (Marcha Mundial das Mulheres)
53. MOVIMENTO CULTURAL FAZENDO ARTE
54. MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra)
55. NEJA/UFMG (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação de Jovens e Adultos)
56. PROIFES (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior)
57. REDE ESTRADO (Rede Latino-americana de Estudos sobre Trabalho Docente)
58. UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas)
59. UGES (União Gaúcha dos Estudantes Secundaristas)
60. UMES/SP (União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo)
61. UNCME (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação)
62. UNDIME (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação)
63. UNE (União Nacional dos Estudantes)
64. UNEFORT (União Estudantil de Fortaleza)
65. UNIPOP (Instituto Universidade Popular)

Fonte:



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A participação dos EUA no golpe de 1964

Por Haroldo Lima, no sítio Vermelho:

Há um dado novo nesse meio século do golpe de 1964. Vieram à tona, há quatro anos, informações sobre o que o governo americano fez e planejou para alterar a situação brasileira. E as gravações americanas reveladas chocam nosso sentimento de brasilidade.

Em uma delas, no Salão Oval da Casa Branca, a 30 de junho de 1962, a situação brasileira foi discutida. A certa altura o presidente John Kennedy perguntou ao embaixador Lincoln Gordon: “Você acha aconselhável que façamos uma intervenção militar?” Gordon responde: “... isso é o que eu chamo de contingência perigosa possivelmente requerendo uma ação rápida”. O presidente aquiesceu. Admitiu, assim, uma intervenção militar em nosso país para derrubar o governo constitucional existente!

Quarenta e seis dias após esse diálogo, Kennedy foi assassinado. Sua imagem foi construída, a partir daí, com uma auréola de simpatia e cordialidade, que, para nós brasileiros, acabou. Aliás, ele também deflagrou, três meses depois de tomar posse, a Invasão da Baia dos Porcos, no sul de Cuba, para derrubar o governo de Fidel Castro, no que foi rotundamente derrotado.

Depois de Kennedy, assumiu o governo dos Estados Unidos Lindon Johnson, que herdou do antecessor 12.000 “conselheiros militares” americanos no Vietnã e transformou essa herança maldita na Guerra do Vietnã, a maior contenda travada no planeta desde a II Guerra Mundial, onde os EUA sofreram humilhante derrota; Johnson herdou também a linha intervencionista para com o Brasil e tomou as medidas para, segundo suas próprias palavras, “... nos expor no que for preciso”.

A interferência americana no Brasil de Goulart começou com Kennedy liberando financiamento, através do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais, o IPES, e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática, o IBAD, para campanhas eleitorais de 1962, meios de comunicação, grupos religiosos e propaganda, tudo para desestabilizar o governo brasileiro. O ex-agente da CIA, Philip Agee, informa que houve apoio financeiro para, entre outros, “quinze candidatos ao Senado, duzentos e cinquenta candidatos à Câmara e mais de quinhentos candidatos às Assembleias Legislativas.”.

Mas a intervenção também foi feita com a introdução de americanos no território brasileiro, travestidos de membros de “corpos de Paz”. “Somente no ano de 1962, quase cinco mil cidadãos americanos entraram no Brasil, número muito superior à média histórica” (JFerreira, Revista Brasileira de História).

E finalmente veio a Operação Brother Sam, articulada para dar apoio às forças golpistas brasileiras caso houvesse alguma resistência. O acerto foi que, em seguida ao aparecimento de um presidente que confrontasse Goulart, os Estados Unidos o reconheceria, e daí por diante dariam o respaldo necessário.

A Operação baseou-se na Frota do Caribe, e foi capitaneada pelo porta-aviões de propulsão nuclear Forrestal, acompanhado por seis destróieres, um encouraçado, um porta helicópteros com 50 helicópteros, um navio de transporte de tropas, uma esquadrilha de aviões de caça, navios petroleiros com 130 mil barris de combustível e 25 aviões C-136 para transporte de material bélico. Era uma frota de guerra. Parte dela chegou às costas do Espírito Santo e outra parte foi orientada a retornar, posto que não houve resistência. Algumas das informações acima eram conhecidas, se bem que negadas. Agora, essas e muitas outras vieram de arquivos americanos e foram apresentadas no extraordinário documentário “O dia que durou 21 anos”. Não são mais contestadas.

Imagino que nem todos os que participaram da conspiração que levou ao golpe de 1964 tinham consciência de que estavam em conluio com uma potência estrangeira agressiva. Até acredito que, se soubessem da magnitude do conluio, não teriam concordado. Mas agora sabem que foram cúmplices, conscientes ou não, de um estratagema que previa a invasão do país. Os que tinham consciência disso cometeram o que se chama de traição nacional.

  

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quarta-feira, 2 de abril de 2014

Calendário aprovado na assembleia unificada estado e município do Rio

Rede municipal [Rio de Janeiro]:

11/4 - à noite, conselho deliberativo da rede;

12/4 (sábado) - assembleia às 14h (local a confirmar).

Rede Estadual:

10/4 (quinta-feira): paralisação de 24 horas - pela manhã: conselho deliberativo e reunião com pais e responsáveis nas escolas; à tarde, assembleia (local a confirmar).


Foi aprovado a realização de duas campanhas nas duas redes, com os seguintes temas:

1) Nenhuma escola ou creche com nome de torturador. Pela substituição do nome dessas unidades.

2) Somos todos 35%! Contra o machismo, racismo e homofobia. Estupro é crime. Cadeia para Estuprador!


Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu

Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
Tel.: (22) 2764-7730
Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
E-mail: sepe.riodasostrasecasimiro@gmail.com
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