segunda-feira, 28 de abril de 2014

Sepe realiza seminário sobre revisão do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) da Educação em 24 de abril

 

No dia 24 de abril, quinta-feira, o Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu realizou Seminário para análise e avaliação do atual processo de revisão do PCCV da Educação de Rio das Ostras.

Atualmente, uma Comissão Paritária vem estudando e propondo uma nova versão para o PCCV que foi aprovado no governo municipal anterior e ainda está em vigor, e que na nossa visão, contém um viés autoritário e meritocrático, com o qual o Sepe tem posição congressual contrária.

Estando essa Comissão em meio a sua tarefa revisora e já assinalada para pontos controversos, a direção deste Núcleo convidou os profissionais da educação, incluindo os membros da Comissão representantes da categoria, para uma avaliação do tratado até o presente momento.

De início, o Sepe questiona a “nova” estrutura do PCCV onde capítulos mantêm a meritocracia. Como é do conhecimento público, o Sepe não concorda com nenhum sistema de avaliação associada ao vencimento do profissional, pois engendra concorrências e manipulações como vêm acontecendo em sistemas de ensino, que adotam a ideologia neoliberal, mundo afora.

Para o Sepe, Escola Pública não é empresa, fábrica ou Negócio. Portanto, devemos abolir e combater as políticas de abonos e prêmios, avaliação de desempenho cujos critérios são subjetivos, gratificações de funções etc., pontos que caracterizam um plano meritocrático.

Outras polêmicas levantadas pelo Seminário:
1) Plano de Carreira Unificado: existem várias funções que não são cargos e, portanto, não serão contemplados no PCCV;
2) Carga horária: o maior problema está no PII, que cumprirá sua hora-atividade para planejamento em 60 minutos e não conforme a hora-aula normal de 50 minutos;
3) Carga Horária Suplementar: a posição do Sepe é que seja cumprido o determinado na Constituição Federal, que assegura a todo o trabalhador brasileiro, que extrapola a sua carga horária,  o direito à remuneração do serviço extraordinário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à da carga normal;
4) Criação de Nova função: O PCCV em vigor criou cinco funções, sendo que o novo está criando mais uma; o problema é que todas estas funções são/serão exercidas por professores que “passam” por uma seleção por meio de currículo com critérios subjetivos (como se fosse um cargo de confiança);
5) Sobre a Direção: O Sepe tem posição histórica de que os diretores de escolas devem ser escolhidos pela comunidade escolar, com eleições diretas, e não indicados pelo governo da ocasião;
6)   Sobre vantagens e incentivos: o Sepe é, por princípio, contra gratificações e defende que, as que existem, sejam incorporadas aos vencimentos, e não sejam criadas outras no novo PCCV; lembrando que gratificações não são levadas para a aposentadoria;

Outros capítulos faltam ser discutidos, como o da Readaptação, onde também existe polêmica. O Sepe, através de sua representante na Comissão Paritária, diretora e professora Rosilene Macedo, continuará fazendo o levantamento de polêmicas junto a outros Planos de Cargos para análise e deliberação em assembleia geral da categoria.

Por fim, o Seminário tratou da situação dos servidores que ao entrarem em licença médica, passam a receber seus vencimentos pelo sistema previdenciário do Ostrasprev. Com isso, uma série de problemas avultam, como a perda temporária ao direito ao uso do Plano de Saúde, exatamente quando o profissional mais necessita dele.

Entre algumas indicações do Seminário, estão a continuação do acompanhamento do Departamento Jurídico do Sepe junto ao processo de revisão, além da presença do Dieese como reforço de assessoramento.

Este Seminário serviu de prévia organização e mobilização para a próxima assembleia da rede municipal de Rio das Ostras, prevista para 30 de abril.

Só a luta transforma a vida!


Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu

Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
Tel.: (22) 2764-7730
Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
E-mail: sepe.riodasostrasecasimiro@gmail.com
Twitter: @sepeostras
Facebook: Perfil Sepe Rio das Ostras 

Parecer do Departamento Jurídico do Sepe sobre aumento salarial de servidores estaduais em anos eleitorais

PARECER:

Trata-se de consulta formulada pela coordenação geral do SEPE-RJ, acerca das limitações da administração em períodos pré-eleitorais, especialmente em relação ao aumento salarial dos servidores públicos.

Resposta:

Além do limites orçamentários de aplicação ininterrupta, a administração pública tem também limitações de aplicação de recursos no período que antecede a realização das eleições.

Isso visando evitar o uso dos recursos público em atividades de interesse particular, sobretudo as relacionadas com a utilização da máquina pública como meio de favorecimento de candidato apoiado por eventual integrante da estrutura do Estado.

Nesse sentido, é vedado ao administrador público o aumento com folha salarial acima da recomposição salarial em tal período, situação que se estende até a posse dos candidatos eleitos.

Nesse sentido é o inciso VIII, do artigo 73, da Lei 9.505/ 97, que veda condutas tendentes a afetar a igualdade de oportunidades entre candidatos, como a concessão de reajustes salariais superiores à inflação do ano da eleição nos 180 dias antes do pleito eleitoral (08 de abril de 2014).

Em igual sentido é a Lei Complementar 101 de 2000, a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que no Parágrafo Único, do artigo 21, diz que “são nulo de pleno direito os atos de que resulte aumento de despesa com pessoal expedido nos 180 dias anteriores ao final do mandato do titulo do respectivo Poder ou órgão" (08 de abril de 2014).

Como visto, a administração pública não pode conceder, tampouco se comprometer a isso, aumento além da recomposição salarial no período de 180 dias que antecedem as eleições até a posse dos eleitos.

Conclusão

Diante do acima exposto, concluímos que, salvo melhor juízo, é vedado pelo nosso ordenamento  jurídico a revisão geral da remuneração dos servidores públicos que exceda a recomposição da perda de seu poder aquisitivo ao longo do ano da eleição, isso no período de 180 dias antes das eleições até a posse dos eleitos.
  
DEPARTAMENTO JURÍDICO DO SEPE RJ




Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu

Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
Tel.: (22) 2764-7730
Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
E-mail: sepe.riodasostrasecasimiro@gmail.com
Twitter: @sepeostras
Facebook: Perfil Sepe Rio das Ostras

Vivemos tempos de Noé

 

Por Leonardo Boff

Vivemos tempos de Noé. Pressintindo que viria um dilúvio, o velho Noé convocava as pessoas para mudarem de vida. Mas ninguém o ouvia. A contrário, “comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento até que veio o dilúvio e os fez perecer a todos”(Lc 17,27; Gn 6-9).

Os 2000 cientistas do IPCC que estudam o clima da Terra são nossos Noés atuais. O terceiro e último relatório de 13/4/2014 contem grave alerta: temos apenas 15 anos para impedir a ultrapassagem de 2 graus C do clima da Terra. Se ultrapassar, conheceremos algo do dilúvio. Ninguém dos 196 chefes de Estado disse qualquer palavra. A grande maioria continua a explorar os bens naturais, negociando, especulando e consumindo sem parar como nos dias de Noé.

Entrevejo três graves irresponsabilidades: a geral e a específica e supina ignorância do Congresso norte-americano que vetou todas as medidas contra o aquecimento global; a manifesta má vontade da maioria dos chefes de Estado; e a falta de criatividade para montar as traves de uma possivel Arca salvadora. Como um louco numa sociedade de “sábios” ouso propor algumas premissas. Se algum mérito possuirem, é o de apontarem para um novo paradigma civilizacional que nos poderá dar outro rumo à história. Ei-las:

1. Completar a razão instrumental-analítica-científica dominante com a inteligência emocional ou cordial. Sem esta não nos comovemos face à devastação da natureza e não nos engajamos para resgatá-la e salvá-la.

2. Passar da simples compreensão de Terra como armazém de recursos para a visão da Terra viva, superorganismo vivo que se autoregula, chamado Gaia.

3. Entender que, como humanos, somos aquela porção da Terra que sente, pensa e ama, cuja missão é cuidar da natureza.

4. Passar do paradigma da conquista/dominação ainda vigente, para o paradigna do cuidado/responsabiidade.

5.Entender que a sustentabilidade só será garantida se respeitarmos os direitos da natureza e da Mãe Terra.

6. Articular o contrato natural feito com a natureza que supõe a reciprocidade inexistente com o contrato social que supõe a colaboração e          inclusão de todos, insuficiente.

7. Não existe meio-ambiente mas o ambiente inteiro. O que existe é a comunidade de vida com o mesmo código genético de base,estabelecendo um parentesco entre todos.

8.Abandonar a obsessão pelo crescimento/ desenvolvimento pela redistribuição da riqueza já acumulada.

9.Devemos produzir para atender demandas humanas mas sempre dentro dos limites da Terra e de cada ecossistema.

10.Pôr sob controle a voracidade produtivista e a concorrência sem limites em favor da cooperação e da solidariedade pois todos dependemos uns dos outros.

11.Superar o individualismo pela colaboração entre todos, pois esta é a lógica suprema do processo de evolução.

12. O bem comum humano e natural tem primazia sobre o bem comum particular e corporativo.

13.Passar da ética utilitarista e eficientista para a ética do cuidado e da responsabilidade.

14.Passar do consumismo individualista para a sobriedade compartida. O que nos sobra, falta aos demais.

15. Passar da maximização do crescimento para a otimização da prosperidade a partir dos mais necessitados.

16. Ao invés de permanentemente modernizar, ecologizar todos os saberes e processos produtivos visando tutelar os bens e serviços naturais e dar descanço à natureza e à Terra.

17. Opor à era do antropoceno que faz do ser humano uma força geofísica destrutiva, pela era ecozóica que ecologiza e inclui todos os seres no grande sistema terrenal e cósmico.

18. Valorizar o capital humano/espiritual inexaurível sobre o capital material exaurível porque o primeiro fornece os critérios para as intervenções responsáveis na natureza e alimenta permanentemente os valores humano-espirituais da solidariedade, do cuidado, do amor e da compaixão, bases para uma sociedade com justiça, equidade e respeito à natureza.

19. Contra a decepção e a depressão provocadas pelas promessas não cumpridas de bem-estar geral feitas pela cultura do capital, alimentar o princípio-esperança, fonte de fantasia criadora, de novas idéias e de utopias viáveis.

20. Crer e testemunhar que, no fim de tudo, o bem triunfará sobre a mal, a verdade sobre a mentira e o amor sobre a indiferença. Um pouco de luz poderá espancar uma imensidão de trevas.



Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu

Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
Tel.: (22) 2764-7730
Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
E-mail: sepe.riodasostrasecasimiro@gmail.com
Twitter: @sepeostras
Facebook: Perfil Sepe Rio das Ostras

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sepe convoca para assembleia da rede municipal de Rio das Ostras em 30 de abril



Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu

Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
Tel.: (22) 2764-7730
Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
E-mail: sepe.riodasostrasecasimiro@gmail.com
Twitter: @sepeostras
Facebook: Perfil Sepe Rio das Ostras

Pérez Esquivel: “com impunidade é impossível construir uma democracia”

O argentino Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1980, deu duas entrevistas recentemente nas quais avaliou os resultados das ditaduras na América Latina. Em entrevista aos veículos BBC Brasil e CNN, o ativista pelos direitos humanos e dirigente da ONG Serviço Paz e Justiça na Argentina recordou suas detenções no Brasil, como conseguiu ser libertado, conversou sobre as leis de anistia, a busca da verdade e sobre quem foram os verdadeiros responsáveis pelas ditaduras latino-americanas.

No Brasil, Esquivel foi preso duas vezes, uma em 1975 e outra em 1981. Na primeira vez, confessa que teve muito medo de morrer. O argentino foi surpreendido no aeroporto de São Paulo quando se dirigia junto com o advogado Mario Carvalho de Jesús, da Frente Nacional de Trabalho, e o austríaco Hildegard Goss-Mayr para uma reunião com Dom Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo.

"Em 1975, foi muito duro. Colocaram um capuz em minha cabeça e me fizeram escutar uma gravação de gritos de pessoas sendo torturadas. Só levantaram um pouco o capuz para eu identificar os latino-americanos que eles perseguiam”, relatou à BBC Brasil em Buenos Aires. Os militares queriam que o argentino denunciasse outros opositores ao regime ditatorial brasileiro. No dia seguinte, Pérez Esquivel foi libertado por intervenção de Dom Evaristo Arns.

Em 1981, a detenção aconteceu de forma semelhante. Após fazer um pronunciamento na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio de Janeiro criticando a Lei De Anistia, Esquivel foi novamente surpreendido no aeroporto de São Paulo e, mais uma vez, libertado por intervenção do mesmo religioso.

Questionado sobre quem foram os responsáveis civis por desatar a ditadura na Argentina o ativista esclareceu que falar sobre o assunto é falar das ditaduras na América Latina como um todo, "pois este foi projeto imposto para todo o continente latino-americano por meio da doutrina da Segurança Nacional [doutrina elaborada pelos Estados Unidos para defesa contra os inimigos da Guerra Fria]”.

"Milhares de militares latino-americanos passaram pela Escola das Américas do Panamá e pelas academias militares dos Estados Unidos, e daí vem toda essa política do terror. Os militares da Argentina não inventaram absolutamente nada. Só os militares não poderiam dar um golpe de Estado; necessitaram da cumplicidade de setores civis, eclesiásticos e do apoio do Estado, e isto foi o que aconteceu”, disse, lembrando ainda que inúmeros empresários também foram partícipes do processo.

Passadas décadas do fim da ditadura nos países latino-americanos o assunto continua reverberando, já que o regime acabou, mas deixou sequelas. Esquivel avalia que a Argentina está à frente do Brasil na investigação dos crimes do regime militar, pois, durante o governo de Raúl Alfonsín, os militares foram levados a julgamento e, no governo de Néstor Kirchner, as Leis de Obediência Devida e Ponto Final foram anuladas. Enquanto isso, no Brasil, mesmo com a instalação da Comissão Nacional da Verdade, não há previsão de qualquer tipo de punição, e a Lei de Anistia permanece em vigor perpetuando a impunidade.

"Algo importante que os brasileiros devem aprender é a busca da memória. A memória não é só buscar o passado, a pessoa deve iluminar o presente para futuras gerações”, disse defendendo a investigação de todos os crimes para que as demais gerações saibam o que aconteceu na história de seu país.

À CNN o argentino lembrou que países como Chile e Paraguai, apesar de certa dificuldade deste último, também estão tentando avançar na busca da verdade, justiça e memória, e ressaltou: "o que se quer não é vingança, mas a reparação dos danos provocados porque com impunidade é impossível construir uma democracia”.




Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
Tel.: (22) 2764-7730
Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
E-mail: sepe.riodasostrasecasimiro@gmail.com
Twitter: @sepeostras
Facebook: Perfil Sepe Rio das Ostras 

O rádio, uma força esquecida

Por Laurindo Lalo Leal Filho, na Revista do Brasil:

Há um ator importante pouco lembrado nas campanhas eleitorais. Ele integra o conjunto de meios de comunicação com capacidade para influir no voto de muita gente. E é o segundo meio de comunicação mais utilizado pela população (61% fazem isso), como mostra pesquisa do Ibope, realizada a pedido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Só perde para a TV, que é vista regularmente por 97% dos brasileiros.

A atenção e as críticas feitas à TV são justas, proporcionais a sua abrangência. Com relação ao rádio, no entanto, a força é subestimada. Como o gato, que dizem ter sete vidas, a resiliência do rádio é histórica. Com transistores e FMs contornou, no passado, a concorrência da TV e, mais recentemente diante da internet, incorporou-se a ela ganhando alcance global, sem os velhos chiados das ondas curtas.

Se tecnologicamente o rádio evoluiu, o mesmo não se pode dizer em relação ao seu conteúdo. Entregue ao controle de empresas comerciais, acaba prestando reduzidos serviços à população. Ao corrermos o dial em qualquer cidade brasileira, temos raras opções de qualidade. Ouvimos pregações, músicas de gosto duvidoso, noticiários que misturam jornalismo com propaganda política disfarçada, ressalvando-se as exceções de praxe representadas, quase sempre, pelas emissoras públicas.

Nem sempre foi assim. Sem TV, o rádio reinou soberano com as grandes orquestras, os programas musicais, as coberturas esportivas e as notícias em tempo real. As ondas curtas traziam as informações da guerra através de emissoras estrangeiras, as mesmas que durante a ditadura (1964-1985) eram as únicas fontes de informação confiáveis sobre o que ocorria em nosso pais.

Sem dúvida esse poder encolheu, mas não desapareceu. Continua forte, sem despertar muita atenção. Os chamados comunicadores populares falam para milhões de pessoas todas as manhãs (o horário nobre do rádio) em várias cidades brasileiras. Em linguagem coloquial, decodificam para o seu público os textos dos jornais impressos, geralmente acompanhando e enaltecendo as opiniões invariavelmente conservadoras neles publicadas.

O subproduto dos engarrafamentos de trânsito, rotineiros nas cidades brasileiras, é o aumento da audiência do rádio. Em busca de notícias, o motorista, quando as encontra, é obrigado a ouvir também comentários sobre variados assuntos, com destaque para aqueles frequentes nos quais o país é sempre apresentado como se estivesse à beira do abismo.

Mas a importância do rádio num país como o nosso não fica por ai. Em época de tablets e facebooks, as velhas cartinhas escritas à mão ainda chegam, por exemplo, pelo correio, aos estúdios da Rádio Nacional da Amazônia, em Brasília. Solicitam músicas, mas também pedem que sejam dadas notícias sobre a chegada de parentes, remédios ou de outras encomendas pelos barcos que circulam na região. A abrangência territorial e cultural do rádio evidencia o poder do seu papel político-eleitoral. Seus controladores fazem política todos os dias, a todas as horas, só existindo dois momentos de trégua. Um diário, ocupado pela Voz do Brasil, e outro sazonal, representado pelo horário eleitoral obrigatório que antecede as eleições. Neste ano, começa em 19 de agosto.

São momentos de equilíbrio político, conquistas da sociedade brasileira, mesmo com deficiên­cias na sua distribuição e controle. Para aprofundar a democracia, é fundamental que esses espaços se ampliem. O caminho mais eficaz para isso é a existência de uma legislação – semelhante à da Argentina – que abra espaço no rádio (e também na TV) para as mais variadas correntes políticas existentes na sociedade. Para que elas possam se expressar todos os dias e não apenas às vésperas das eleições, como ocorre hoje.



Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu


Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
Tel.: (22) 2764-7730
Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
E-mail: sepe.riodasostrasecasimiro@gmail.com
Twitter: @sepeostras
Facebook: Perfil Sepe Rio das Ostras

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Lembranças da mídia ‘esquecida’ pela ditadura

Por Laurindo Lalo Leal Filho*

“Dia 1º de abril de 1964. Cinelândia, Rio de Janeiro. Em frente ao Clube Militar, um garoto de 12 anos começa a gritar ‘Jangooo’, ‘Jangooo’. Um homem alto e magro, cabelo cortado recente, bigodes finos, aponta a sua automática e explode a cabeça do menino. Nesse dia eu era diretor de jornalismo da Rede Excelsior de Televisão, na época líder absoluta de audiência. Nessa mesma noite de 1º de abril, no Jornal de Vanguarda, a cena foi ao ar”, lembra Fernando Barbosa Lima no livro Gloria in Excelsior escrito por Álvaro de Moya.

Era o início de uma longa ditadura e o começo do fim da única rede de televisão brasileira que, um dia, alinhou-se a um projeto nacional de desenvolvimento autônomo liderado pelo presidente João Goulart.

O Jornal de Vanguarda, havia sido premiado pela Eurovisão, a rede europeia de televisões públicas, como melhor do mundo no seu gênero, superando os programas de notícias da BBC de Londres. Com recursos e independência, a Excelsior criava um novo padrão de qualidade para a TV brasileira, copiado depois pela Globo.

Ao tiro na Cinelândia seguiu-se a invasão da emissora por policiais armados e a derrocada de um império comandado pelo empresário Mário Wallace Simonsen. Figura esquecida intencionalmente pela mídia de hoje já que sua lembrança destrói a lenda golpista de que o Brasil de Jango caminhava para o comunismo.

O dono da Excelsior, e também da Panair do Brasil e da maior empresa exportadora de café do país, a Comal, de comunista não tinha nada. Tinha, isso sim, convicção que seus negócios só prosperariam se o país crescesse de forma independente, livre do jugo imposto pelos Estados Unidos. Disputava o mercado internacional do café com o grupo Rockfeller.

Esteve ao lado da ordem democrática durante os governos Juscelino, Jânio e Jango. Mandou um avião da Panair buscar o vice-presidente Goulart em Pequim, durante a crise da renúncia de Jânio em 1961 e hospedou-o em seu apartamento de Paris, durante uma das escalas da longa viagem. Os golpistas nunca o perdoaram.

Envenenamento simbólico

Os projetos de reformas de base enviadas por Jango ao Congresso, em março de 1964, se efetivados, encaminhariam o Brasil para o patamar de “potência independente, com ascendência sobre a América Latina e a África”, no dizer do sociólogo Octavio Ianni no livro O colapso do populismo no Brasil.

A essa política se contrapôs, com o golpe, um modelo de capitalismo associado e dependente mantendo o Brasil na condição de satélite da órbita centralizada pelos Estados Unidos. Coube à mídia dar respaldo à subserviência, sem o qual a ação dos golpistas e depois a da ditadura, teria sido mais árdua.

No centro desse processo, como coordenador do trabalho de conquista dos corações e mentes da sociedade, estavam o Instituto de Pesquisas Sociais, o IPES e o Instituto de Ação Social, o IBAD. Um complexo de produção ideológica que “publicava diretamente ou através de acordo com várias editoras, uma série extensa de trabalhos, incluindo livros, panfletos periódicos, jornais, revistas e folhetos. Saturava o rádio e a televisão com suas mensagens políticas e ideológicas”, como mostra a pesquisa de Rene Armand Dreifuss, publicada no livro 1964: a conquista do Estado.

A máquina da desinformação, azeitada por recursos captados nas elites empresariais pagava os donos de jornais, rádios e TVs ou diretamente os jornalistas, executores das pautas de interesse dos golpistas.

É precioso o relato de Rene Dreyfuss ao demonstrar como “o IPES organizava equipes de ‘manipuladores de notícias’ que preparavam e compilavam material sob a coordenação geral do general Golbery do Couto e Silva, especialista em guerra psicológica. Esses manipuladores se responsabilizavam pelas ‘campanhas de pânico’. A ‘campanha da ameaça vermelha’ empreendida pelo IPES mostrou-se muito útil na melhoria de sua situação financeira, já que atraiu contribuições de empresários tomados de pânico e profissionais que temiam o futuro”.

Segundo Dreyfuss, “eram também ‘feitas’ em O Globo notícias sem atribuição de fonte ou indicação de pagamento e reproduzidas como informação factual. Dessas notícias, uma que provocou um grande impacto na opinião pública foi a de que a União Soviética imporia a instalação de um Gabinete Comunista no Brasil, exercendo todas as formas de pressões internas e externas para aquele fim”.

O envenenamento simbólico de parte da população era feito com muita competência e a própria mídia apresentava possíveis antídotos, além do golpe que estava sempre presente no horizonte.

Versões distorcidas

Sem registros históricos, um desses antídotos só não é risível porque o momento não estava para brincadeiras. A TV Paulista e a Rádio Nacional de São Paulo, que depois seriam vendidas para as Organizações Globo, numa operação até hoje contestada na justiça, propiciaram um espetáculo bizarro na Semana Santa que antecedeu o golpe.

O apresentador do programa de rádio diário A hora da Ave Maria, Pedro Geraldo Costa foi a Jerusalém às expensas das emissoras e de lá trouxe uma cruz enorme de madeira que chegou ao Rio de Janeiro de avião e seguiu em peregrinação para São Paulo trafegando lentamente pela via Dutra, com uma parada simbólica em Aparecida. Nas proximidades da capital foi içada por um helicóptero e suavemente depositada no Vale do Anhangabaú em meio a multidão convocada pelo rádio e pela TV para orar junto à cruz pelo país. Episódio esquecido que, no entanto, se articula com as marchas religiosas e golpistas do período, insufladas pela mídia.

Como depois as pesquisas do Ibope mostraram, essas multidões arregimentadas pelo conluio igreja-meios de comunicação representavam parcelas minoritárias da população. A maioria apoiava o governo Jango e a sua política reformista. Mas até hoje, passados 50 anos, o golpe ainda é apresentado pela mesma mídia como tendo sido respaldado pelo povo. Foi apenas por aqueles que se deixaram levar pela insidiosa campanha midiática do início dos anos 1960.

Apesar do desfecho trágico que levou o Brasil a uma ditadura sanguinária, em termos de mídia estávamos melhor naquela época do que hoje. Nas bancas, a Última Hora era a alternativa aos jornais reacionários, a TV Excelsior abria espaço para o contraditório e algumas emissoras de rádio mantinham-se alheias as pressões golpistas, como a 9 de Julho de São Paulo, cassada pela ditadura.

Hoje nem isso temos possibilitando que apenas uma versão, a dos golpistas, continue circulando pela mídia tradicional. O “esquecimento” de figuras como a de Mário Wallace Simonsen e de episódios como a da cruz que veio de Jerusalém são propositais. Se lembrados poriam em xeque a ameaça comunista e o apoio espontâneo das massas ao golpe.

Versões distorcidas, bem ao gosto do Instituto Millenium que está aí como um fantasma a lembrar alguns traços assustadores dos antigos IPES e do IBAD.

*Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP e autor, entre outros, de A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho



Diretoria do Sepe Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu


Sepe - Núcleo Rio das Ostras e Casimiro de Abreu
End.: Alameda Casimiro de Abreu, 292 – 3º and. Sl. 8 – Nova Esperança – Rio das Ostras
Tel.: (22) 2764-7730
Horário de Funcionamento: Segunda, Quarta e Sexta das 09h às 13h; Terça e Quinta das 13h às 17h.
E-mail: sepe.riodasostrasecasimiro@gmail.com
Twitter: @sepeostras
Facebook: Perfil Sepe Rio das Ostras