terça-feira, 1 de abril de 2014

Congresso teve 1416 delegados credenciados — O maior da história do SEPE


O 14º Congresso do Sepe terminou neste sábado, dia 29/03, no Clube Municipal, com a participação de 1416 delegados credenciados (cerca de 1800 foram eleitos nas assembleias) – foi o maior congresso da história do sindicato, tendo em vista a participação de delegados.

Durante quatro dias (26 a 29 de março), centenas de delegados eleitos democraticamente pela base, aprovaram propostas importantes, como a manutenção do atual sistema de eleição para a diretoria do Sepe Central, núcleos e regionais, sem qualquer cláusula de barreira na votação (proporcionalidade direta e qualificada).

O Congresso comprovou a vitalidade do nosso sindicato, que vem, há 37 anos, mobilizando a categoria e a sociedade em defesa da educação pública, laica e de qualidade.

Em breve, o site do Sepe vai disponibilizar o texto final com todas as resoluções.


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O Golpe

  
Por Frei Betto

São vivas minhas lembranças da quartelada de 1964. Desde 1962 eu trocara Belo Horizonte pelo Rio. Jânio Quadros, em agosto de 1961, havia renunciado à presidência da República. Jango, seu vice, tomou posse.

O Brasil clamava por reformas de base: agrária, política, tributária etc. No Rio Grande do Sul, o deputado federal e ex-governador daquele estado, Leonel Brizola, cunhado de Jango, advertia sobre o perigo de um golpe de Estado.

Em Pernambuco, Miguel Arraes contrariava usineiros e latifundiários e imprimia a seu governo um caráter popular. Em Angicos (RN), Paulo Freire gestava sua pedagogia do oprimido.

O MEB (Movimento de Educação de Base) dava os primeiros passos apoiado pela ala progressista da Igreja Católica. A UNE multiplicava, por todo o pais, os CPC (Centros Populares de Cultura).

Novo era o adjetivo que consubstanciava o Brasil: cinema novo; bossa nova; nova poesia; nova capital...

A luta heroica dos vietnamitas, o êxito da Revolução Cubana (1959) e o fracasso dos EUA ao tentar invadir Cuba pela Baía dos Porcos (1961) inquietavam a Casa Branca. “A América para os americanos”, reza a Doutrina Monroe. A maioria dos ianques não entende que está incluído no termo “América”  todo o nosso Continente mas só eles são considerados “americanos”.

Era preciso dar um basta à influência comunista, inclusive no Brasil. E tudo que não coincidia com os interesses dos EUA era tachado de “comunista”, até mesmo bispos como Dom Helder Camara, que clamava por um mundo sem fome. Foi apelidado de “o bispo      vermelho”.

Trouxeram dos EUA o padre Peyton, pároco de Hollywood. De rosário em mãos e bancado pela CIA, ele arrastava multidões nas Marchas da Família com Deus pela Liberdade. Manipulava-se o sentimento religioso do povo brasileiro como caldo de cultura favorável à quartelada.

A 13 de março de 1964, Jango promoveu um megacomício na Central do Brasil, no Rio, defronte o prédio do Ministério do Exército. Ali, ovacionado pela multidão, assinou os decretos de apropriação, pela Petrobras, de refinarias privadas, e desapropriação, para fins de reforma agrária, de terras subutilizadas. As elites brasileiras entraram em pânico.

Em 31 de março, terça-feira, as tropas do general Olimpio Mourão Filho, oriundas de Minas, ocuparam os pontos estratégicos do Rio. Jango, após passar por Brasília e Porto Alegre, deposto da presidência, refugiou-se no Uruguai. Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, assumiu o comando do país e, pressionado pelos militares, convocou eleições indiretas. A 11 de abril, o Congresso Nacional elegeu o marechal Castelo Branco presidente da República. Estava consolidado o golpe.

A máquina repressiva começou a funcionar a todo vapor: Inquéritos Policiais Militares foram instalados em todo o país; a cassação de direitos políticos atingiu sindicalistas, deputados, senadores e governadores; uma simples suspeita ecoava como denúncia e servia de motivo para um cidadão ser preso, torturado ou mesmo assassinado.

Os estudantes e alguns segmentos da esquerda histórica resistiram nas ruas do Brasil. Foram recebidos a bala. A reação da ditadura acuou seus opositores na única alternativa viável naquela conjuntura: a luta armada. Em dezembro de 1968, o governo militar assina o Ato Institucional nº 5, suprimindo o pouco de espaço democrático que ainda restava e legitimando a prisão, a tortura, o banimento, o sequestro e o assassinato de quem lhe fizesse oposição ou fosse simplesmente suspeito.

Muitos são os sinais de que se vivia sob uma ditadura. Este foi insólito: há no centro do Rio uma região conhecida como Castelo. E, na Zona Norte, um bairro chamado Muda (porque, outrora, ali trocavam as parelhas de cavalos que puxavam os bondes que ligavam a Tijuca ao Alto da Boa Vista).

Em 1964, no letreiro de uma linha de ônibus carioca a indicação: Muda-Castelo. Os milicos não gostaram: o marechal viera para ficar. Pressionada, a empresa inverteu o letreiro: Castelo-Muda. Ficou pior. Cancelaram a linha...



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1964: o uso dos militares pelos grupos civis reacionários

 

Por Leonardo Boff

Os 50 anos do golpe militar, pela violência que implicou, agora devidamente tirada a limpo pela Comissão Nacional da Verdade, não pode deixar nenhum cidadão honesto indiferente. Importa assinalar claramente que o assalto ao poder foi um crime contra a constituição e uma usurpação da soberania popular, fonte do direito num Estado democrático. O primeiro Ato Institucional de 9/4/1964 alijou esste princípio da soberania popular ao declarar que “a revolução vitoriosa como Poder Constituinte se legitima por si mesma”. Nenhum poder se legitima por si mesmo; só o fazem ditadores que pisoteiam qualquer direito. O golpe militar configurou uma ocupação violenta de todos os aparelhos de Estado para, a partir deles, montar uma ordem regida por atos institucionais, pela repressão e pelo Estado de terror.

Bastava a suspeita de alguém ser subversivo para ser tratado como tal. Mesmo detidos e sequestrados por engano como inocentes camponeses, para logo serem seviciados e torturados. Muitos não resistiram e sua morte equivale a um assassinato. Não devemos deixar passar ao largo, os esquecidos dos esquecidos que foram os 246 camponeses mortos ou desaparecidos entre 1964-1979. E agora está sendo descoberta a eliminação de muitos indígenas, tidos como empecilho ao crescimento econômico. Sobre alguns deles foram lançadas até bombas de napalm.

O que os militares cometeram foi um crime lesa-pátria. Alegam que se tratava de um estado de guerra, um lado querendo impor o comunismo e o outro defendendo a ordem democrática. Esta alegação não se sustenta. O comunismo nunca representou entre nós uma ameaça real pois qualquer manifestação neste sentido foi brutalamente reprimida, não sem o apoio da CIA dos EUA. Na histeria do tempo da guerra-fria, todos os que queriam reformas na perspectiva dos historicamente condenados e ofendidos – as grandes maiorias operárias e camponesas – eram logo taxados de comunistas e de marxistas, mesmo que fossem bispos como o insuspeito Dom Helder Câmara.

Contra eles não cabia apenas a vigilância, mas para muitos a perseguição, a prisão, o interrogatório aviltante, o pau-de-arara feroz, os afogamentos desesperadores. Os alegados “suicídios” camuflavam apenas o puro e simples assassinato. Em nome do combate ao perigo comunista, se assumiu a prática comunista-estalinista da brutalização dos detidos. Em alguns casos se incorporou o método nazista de incinerar cadáveres como admitiu o ex-agente do Dops de São Paulo, Cláudio Guerra. Causa espanto e constitui até um problema filosófico a falta de remorsos que o coronel reformado Paulo Magalhães recentemente manifestou à Comissão Nacional da Verdade de ter atuado na Casa da Morte de Petrópolis, de ter torturado, assassinado, mutilado cadáveres e ter ocultado o corpo do deputado Rubens Paiva. Rudof Höss, comandante do campo de extermínio nazista em Auschwitz que segundo seus próprios cálculos em sua autobiografia mandou para as câmaras de gás cerca de um milhão de judeus, também não mostrava nenhum arrependimento. Divertia-se atirando ao leu sobre os prisioneiros e chorava com uma criança ao chegar em casa ao saber que seu passarinho preferido havia morrido. É o mistério da iniquidade.

O Estado ditatorial militar, por mais obras que tenha realizado ( “o milagre econômico” foi apropriado apenas por 10% da população, pelos mais ricos, no quadro de um espantoso arrocho salarial), fez regredir política e culturalmente o Brasil. Expulsou ou obrigou ao exílio nossas mais brilhantes inteligências e nossos artistas mais criativos. Afogou lideranças políticas e ensejou o surgimento de súcubos que, oportunistas e destituídos de ética e de brasilidade, se venderam ao poder ditatorial em troca benesses que vão de estações de rádio a canais de televisão. E muitos deles estão ai, politicamente ativos e ocupando altos cargos da administração do Estado democrático.

Os que deram o golpe de Estado devem ser responsabilizados moralmente por esse crime coletivo contra o povo brasileiro, como vários juristas o estão pedindo. Os militares se imaginam que foram eles os principais protagonistas desta façanha nada gloriosa. Na sua indigência analítica, mal suspeitam que foram, de fato, usados por forças muito maiores que as deles. Disse-o recentemente Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, numa entrevita ao Boletim Carta Maior (30/3/2014): “O poder não foi apropriado diretamente pelos militares para eles próprios. Foi um projeto político dos setores mais conservadores e reacionários (burguesia nacional e os latifundiários) que tiveram nas forças armadas um apoio e um protagonismo muito grande”.

René Armand Dreifuss escreveu em 1980 sua tese de doutorado na Universidade de Glasgow com o título: 1964: A conquista do Estado, ação política, poder e golpe de classe (Vozes 1981). Trata-se de um livro com 814 páginas das quais 326 são cópias de documentos originais. Por estes documentos fica demonstrado: o que houve no Brasil não foi um golpe militar, mas um golpe de classe com uso da força militar.

A partir dos anos 60 do século passado, se formou o complexo IPES/IBAD/GLC. Explico: o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e o Grupo de Levantamento de Conjuntura (GLC). Compunham uma rede nacional que disseminava idéias golpistas, composta por grandes empresários multinacionais, nacionais, alguns generais, banqueiros, órgãos de imprensa, jornalistas, intelectuais, a maioria listados no livro de Dreifuss. O que os unificava, diz o autor “eram suas relações econômicas multinacionais e associadas, o seu posicionamento anticomunista e a sua ambição de readequar e reformular o Estado”(p.163) para que fosse funcional a seus interesses corporativos. O inspirador deste grupo foi o maquiavélico General Golbery de Couto e Silva que já em “em 1962 preparava um trabalho estratégico sobre o assalto ao poder”(p.186).

A conspiração pois estava em marcha, há bastante tempo. Aproveitando-se da confusão política criada ao redor da renúncia do Presidente Jânio Quadros e da obstinada oposição ao Presidente João Goulart, que propunha reformas de base e principalmente a reforma agrária, e por isso, tido como o portador do projeto comunista, este grupo viu a ocasião apropriada para realizar seu projeto. Chamou os militares para darem o golpe e tomarem de assalto o Estado. Foi, portanto, um golpe da classe dominante, nacional e multinacional, usando o poder militar.

Conclui Dreifuss: “O ocorrido em 31 de março de 1964 não foi um mero golpe militar; foi um movimento civil-militar; o complexo IPES/IBAD e oficiais da ESG (Escola Superior de Guerra) organizaram a tomada do poder do aparelho de Estado”(p. 397).

Especificamente afirma: ”A história do bloco de poder multinacional e associados começou a 1º de abril de 1964, quando os novos interesses realmente tornaram-se interesses do Estado, readequando o regime e o sistema político e reformulando a economia a serviço de seus objetivos”(p.489).  Todo o aparato de controle e repressão era acionado em nome da Segurança Nacional que, na verdade, significava a Segurança do Capital.
Os militares inteligentes e nacionalistas de hoje deveriam dar-se conta de como foram  perfidamente usados por aquelas elites oligárquicas e anti-populares que não buscavam realizar os interesses gerais do Brasil mas sim, alimentar sua voracidade particular de acumulação, sob a proteção do regime autoritário dos militares.

A Comissão Nacional da Verdade prestaria esclarecedor serviço ao país se trouxesse à luz toda esta trama. Ela simplesmente cumpriria sua missão de ser Comissão da Verdade completa. Não apenas da verdade de fatos individualizados de violência aos direitos humanos, mas da verdade do fato maior da dominação de uma classe poderosa, (anti)nacional, associada à multinacional, para, sob a égide do poder discricionário dos militares, tranquilamente, realizar seus objetivos corporativos e excludentes. Isso nos custou 21 anos de humilhação, de privação da liberdade, perpretou assassinatos e desaparecimentos e impôs um oneroso padecimento coletivo.
Por fim, cabe ouvir as palavras da advogada Rosa Cardoso, advogada e defensora da prisioneira política Dilma Rousseff e hoje integrante da Comisão Nacional da Verdade numa entrevista ao Boletim Carta Maior de 20/02/2014: ”Primeiro quero dizer que até hoje as Forças Armadas devem um pedido de perdão à sociedade brasileira, com o que estariam assumindo uma posição civilizada e democrática, que é, afinal de contas, o que se espera dos militares no século 21. Lamentavelmente, até agora, não recebemos nenhum sinal, nenhuma mensagem, que nos indique que haja algum desejo, por parte dos militares, de pedir desculpas e de fazer uma autocrítica política sobre seu comportamento”. Esta dívida eles a tem para com todo o povo brasileiro. E deverão um dia saldá-la.

O dia de hoje, primeiro de abril de 2014, 50 anos do golpe civil-militar, é um dia de pranto pelas vítimas da repressão mas também dia de ânimo porque a truculência não pode sufocar o sentimento de dignidade nem abater os ideais democráticos que triunfaram e estão se firmando mais e mais em nossa consciência nacional.
Dedico este artigo ao meu colega de seminário Arno Preis, cheio de fome de justiça, morto em Paraiso do Norte- GO no dia 15/2/1972; Leonardo Boff é teólogo, filósofo, presidente honorário do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis.

  

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Do golpe militar à tentativa de democracia

Editorial do Correio da Cidadania de 31/03/2014

O golpe ditatorial de 64 foi sinistro e de longo período. O transcurso de seus cinquenta anos exige acerto de contas com o passado, em nome da verdade, da justiça e da memória dos que foram brutalmente assassinados, perseguidos, exilados, torturados.

Em nome dos que tiveram os direitos políticos, civis, sindicais e sociais espezinhados. Em nome também das multidões de anônimos trabalhadores que sofreram o desemprego, o confisco, o arrocho salarial e os ritmos alucinantes do trabalho.

Tudo em prol dos proprietários da riqueza e do poder do país que, através dos altos oficiais militares, impuseram a dependência crescente ao grande capital mundial e jogaram o país em um endividamento externo que deu início à sequência das décadas perdidas, a partir dos anos 80 do século passado.

Os 50 anos do golpe militar produziram inúmeros e ótimos livros, resenhas, documentários e filmes. Um necessário reencontro com um passado que não pode ser esquecido, para que não seja mais repetido.

Mas é preciso ir além. Pois são evidentes as mazelas e heranças da ditadura militar até os dias de hoje.

Nesse início de 2014, segue e radicaliza-se a repressão policial dos segmentos trabalhadores, da população pobre, do movimento social. O monumental aparato repressivo que se constrói para garantir a Copa, seus negócios, e reprimir as manifestações, com as leis de exceção e criminalização aprovadas em diversos níveis legislativos, acendem uma luz amarela.

Nos fatos, quando se registram os 50 anos do golpe, monta-se esse aparato repressivo por governo que, no passado, se disse dos trabalhadores. Forças policiais e militares ocupam, como a um território inimigo, regiões urbanas das nossas principais capitais, deixando atrás de si rastro de sangue de populares e trabalhadores, executados por policiais ensandecidos pela retórica de “guerra civil” e a impunidade de que gozam.

Que estranho país é o Brasil, que lembra os 50 anos do golpe com repúdio e tristeza, mas tem governos que armam suas polícias militares até os dentes para reprimir lutas, reivindicações e protestos sociais da grande população nacional oprimida e desassistida. Para a imposição da nova ordem democrático-autoritária, incute-se o medo à população, servindo-se da retórica da luta contra o terrorismo. Há terroristas contra civis entre nós, com terríveis armas químicas? Há homens e mulheres-bombas desesperados assaltando os palácios governamentais, as casas legislativas, os quartéis de polícia?

Quando vemos na televisão um vídeo mostrando uma pessoa sendo arrastada pelas ruas por um camburão da PM, após ter sido morta por esses mesmos policiais, uma luz vermelha deve ser acesa. Cinquenta anos depois do golpe e isto ainda ocorre, em especial nas periferias, favelas e comunidades das grandes cidades, onde a polícia tem licença para matar.

Cinquenta anos após seu aparente fim, a ordem militar burguesa segue, ademais, amordaçando e manietando a população, com o literal monopólio da grande mídia, que se impôs desde seus primeiros momentos. Situação que todos os governos pós-1985, sem exceção, sancionaram e fortaleceram. Seguem a censura e a insidiosa desinformação da população.

Parece evidente que a transição do regime ditatorial para a ordem institucional não se completou. Os esqueletos e as heranças do regime militar estão muito ativos na nossa sociedade. Conquistamos o direito de voto, de organização, manifestação, expressão, isto é certo. Mas é profundo o DNA violento e repressor do Estado brasileiro.

As necessidades e direitos inarredáveis da população foram transformados em um enorme negócio, com exclusivos objetivos de lucro, e serviços crescentemente inacessíveis e desqualificados. Direitos sociais e sindicais expropriados pela ordem militar, por exigência do capital, jamais foram devolvidos. Mesmo sob um governo que se imaginava progressista, monta-se um autêntico Estado de Exceção penal.

Para sermos coerentes com a história e a memória da luta contra a ditadura militar burguesa, é imperioso que bandeiras democráticas, políticas e sociais tenham relevância na pauta de todos os movimentos populares.

Que não fiquem impunes os torturadores e mandantes dos crimes da ditadura, ainda vivos. Que se arranquem todas as homenagens públicas que ainda se mantêm àqueles criminais – nomes de ruas, avenidas, colégios etc.

Que se desarme o aparato militar, policial e jurídico herdado e radicalizado dos anos ditatoriais, pondo fim à repressão e criminalização diária das lutas sociais.

Que se liquide com o monopólio do capital sobre os grandes meios de informação construídos e impulsionados pela ordem militar

Que se impulsionem a segurança, a saúde, a educação públicas de qualidade.

A sociedade brasileira precisa por fim às heranças malditas do golpe de 64, que ainda corroem subterraneamente nossa sociedade. Este é o verdadeiro sentido de lembrarmos desta data.

Fonte: 


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Conversando com versos (54): “Palavras”, de Cecília Meireles (1901-1964)

 


"Palavras"


Espada entre flores,
rochedo nas águas,
assim firmes, duras,
entre as coisas fluidas,
fiquem as palavras,
as vossas palavras.

Pois se por acaso
dentro dos sepulcros
acordassem as almas
e em sonhos confusos
suspirassem rumos
de histórias passadas
e houvesse um tumulto
de ânsias e de lágrimas,

lembrassem as lágrimas
caídas no mundo
nas noites amargas
cercadas dos muros
das vossas palavras.
Todas as palavras.

Nos espelhos puros
que a memória guarda,
fique o rosto surdo,
a música brava
do humano discurso.
De qualquer discurso.

Só de morte exata
sonharão os justos,
saudosos de nada,
isentos de tudo,
pascendo auras claras,
livres e absolutos,
nos campos de prata
dos túmulos fundos.

No meio das águas,
das pedras, das nuvens,
verão as palavras:
estrelas de chumbo,
rochedos de chumbo.
A cegueira da alma.
O peso do mundo.

Adeus, velhas falas
e antigos assuntos!


Fonte: Cecília Meireles. Obra Poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983, pp.320/321



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segunda-feira, 31 de março de 2014

Sepe/RJ convoca para assembleia unificada (estado e município do Rio de Janeiro) em 1º de abril



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Atenção, assembleia unificada do dia 01/04 será no Clube Municipal

Nesta terça-feira (01/04), os profissionais das redes estadual e municipal do Rio, juntamente com o Fórum em Defesa da Educação Pública e outras redes municipais, universidades públicas e centrais sindicais realizarão uma grande marcha em defesa da Educação Pública de qualidade e contra o golpe militar de 1964. A concentração será realizada na Candelária, a partir das 16h. Dali os manifestantes seguirão em passeata até a Cinelândia para exigir mais verbas para o setor, valorização para os profissionais e escola pública de qualidade e gratuita para todos. Também neste dia, as escolas estaduais e municipais do Rio de Janeiro farão uma paralisação de 24 horas, com assembleia unificada, às 13h, no Clube Municipal, na Tijuca (Rua Haddock Lobo, nº 359).

Desde fevereiro, as redes estadual e municipal estão mobilizadas na luta por reajuste salarial e o cumprimento por parte dos governos estadual e municipal de reivindicações acordadas durante a grande greve das duas redes, realizadas nos meses de agosto a outubro. No ano passado, os profissionais de educação foram responsáveis, pela realização de grandes mobilizações de rua que envolveram dezenas de milhares de pessoas que, mesmo com a truculência das forças de segurança e as agressões promovidas pela PM do governo Cabral, mostraram para a população que a categoria é de luta e não teme as ameaças de governos que não estão comprometidos com a democracia e com a educação pública.

Agora, a educação se mobiliza novamente para ir às ruas e exigir que os governos do estado e dos municípios atendam as nossas reivindicações.


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